Semanário: A minha opinião desde Steve Jobs ao iPhone X, passando por Lisboa

Esta semana fica marcada, como é óbvio, pelo evento que ocorreu terça-feira no novo Apple Park e onde foram apresentados o novo Apple Watch Series 3, a Apple TV 4K, o iPhone 8 e o iPhone X. O semanário desta semana serve como reflexão das novidades apresentadas.

O tributo a Jobs

O evento começou com um tributo ao co-fundador da Apple e que também dá nome ao auditório: Steve Jobs. As suas palavras encheram a sala: “One of the ways that I believe people express their appreciation to the rest of humanity is to make something great.”.

I love hearing his voice. It was only fitting that Steve should open his theatre. – Tim Cook

Aquele, viria a ser, sem dúvida, um momento transformador para a Apple e para Cook. “It’s taken some time, but we can now reflect on him with joy instead of sadness.”

Jobs trabalhou durante uma década, disse Cook, no novo campus para a Apple. Um campus que aumentaria a colaboração entre engenheiros e designers a criar a próxima geração de produtos para mudar o mundo.

Este foi sem dúvida um momento decisivo da apresentação e que viria a marcar todo o seu passo. Mais do que a apresentação de um novo Watch ou um novo iPhone, o evento serviu para algo bem mais importante, definir o Apple Park como o seu novo campus e, com isso, homenagear Jobs publicamente.

As lojas da Apple

Angela Ahrendts, vice-presidente sénior das lojas da Apple, começou o evento com uma atualização às novas lojas da Apple, que agora, segundo a própria são pensadas mais como “town halls”. A vice-presidente afirmou ainda que a gigante de Cupertino vê agora as suas lojas mais como uma oportunidade de educação, exemplificando com a nova iniciativa “Today at Apple”.

No fim de contas, as lojas da gigante não servem para mais do que vender os seus produtos, mas a estratégia a longo termo revela um investimento da empresa em futuros potenciais clientes.

Apple Watch Series 3

Jeff Williams, que para além de gerir as operações da Apple é também o responsável pelo Watch e pelas iniciativas de saúde da empresa subiu ao palco. A gigante continua sem revelar os números de vendas do seu relógio, mas Cook já tinha dito antes que as vendas têm crescido 50% ano após ano, tornando-o no relógio mais vendido em todo o mundo, à frente de marcas como a Rolex, a Fóssil ou a Omega.

Embora seja a cada dia mais claro que, o mercado de relógios inteligentes é predominantemente um mercado de Apple Watch, torna-se também cada vez mais claro que a Apple não vê o Watch nesse contexto. O relógio é mais um produto que a gigante de Cupertino usa para mudar o paradigma da computação portátil, como foi inicialmente o MacBook, o iPod e o iPhone.

Jeff Williams apresentou ainda aquele que é, para mim, um dos melhores vídeos produzido pela Apple nos últimos tempos: o Apple Watch na mão dos consumidores, mostrando os vários usos ao redor do mundo a partir de cartas escritas à Apple.

O propósito do Watch nem sempre foi claro, tanto para a Apple como para os consumidores, mas parece que finalmente a gigante encontrou o caminho certo.
Depois de revisto o watchOS 4, já apresentado na WWDC, Jeff Williams mostrou ainda novas funcionalidades para o monitoramento de batimento cardíaco. Há agora alertas quando o Watch deteta que os batimentos estão elevados ou irregulares, dando assim o próximo passo do relógio. O Apple Watch deixa de ser um dispositivo de monitoramento e passa a ser um assistente. É certo que cada vez mais veremos funcionalidades como esta, já que a Maçã finalmente definiu o caminho a seguir que parece ser este.

Foi também apresentado o Apple Watch Series 3. No exterior as mudanças não são grandes, a grande mudança é, sem dúvida, os dados móveis. Esta “simples” funcionalidade transforma o Watch de um dispositivo que nunca se poderia afastar muito do iPhone, para um dispositivo não dependente deste. Certo que ainda limitado pelo seu tamanho e pela potência, mas não pela distância como acontecia. Esta mudança oferece toda uma nova realidade ao relógio da Apple.

A Apple TV 4K

Foi Eddy Cue, o responsável pelos serviços da Apple, o encarregado de apresentar as novidades da Apple TV. As críticas foram muitas quando, há dois anos, a Apple apresentou uma nova Apple TV sem suporte a 4K. Decisão facilmente explicada pelo pouco conteúdo 4K disponível.

Para além disso, há mais uma variável no jogo, o HDR. Como Eddy Cue demonstrou em palco, as diferenças são muitas e, há dois anos, a tecnologia simplesmente não estava pronta. A Apple fez o que costuma sempre fazer, esperou até a tecnologia estar consolidada para lançar uma solução completa que oferece aos consumidores a melhor experiência possível.

O anúncio de que o conteúdo 4K manter-se-ia ao mesmo preço que o conteúdo HD, e o conteúdo já comprado seria automaticamente atualizado para 4K fez o auditório delirar. Não só a Apple pisca o olho a novos potenciais consumidores com esta medida, como mantém os atuais satisfeitos.

O iPhone 8 e o iPhone 8 Plus

Quando Phil Schiller, o homem forte do marketing mundial da Apple, subiu ao palco ficamos logo a saber que viriam aí novos iPhone. Com a gigante de Cupertino, a mudar o padrão do nome. Em vez de um modelo 7s, os modelos passaram logo para iPhone 8. Embora, este ano o seu design seja parecido com o modelo antecessor, todo o processo mudou e isso pode explicar a mudança no padrão.

O alumínio, usado desde o iPhone 6 e iPhone 6 Plus, foi agora abandonado em favor do vidro. Decisão, facilmente explicada com facto do iPhone 8 ser agora compatível com o carregamento sem fios através do padrão Qi.
A dúvida que fica é, a tecnologia de carregamento sem fios evoluiu assim tanto que a Apple mudou de ideias e finalmente adotou uma tecnologia que já é usada há vários anos pelos mais diversos fabricantes para que no futuro possa apresentar-nos um aparelho totalmente sem fios, ou será que a empresa apenas precisava de uma funcionalidade para apresentar este ano e teve que ceder ao mercado? Cá estaremos para ver.

Contudo, para mim, uma das grandes surpresas da noite foi sem dúvida o novo Apple A11 Bionic. O novo processador, inteiramente desenhado pela Apple, apresenta seis (!) cores, dois eles dedicados à performance e os outros quatro à eficiência, ou seja, quando é necessário executar tarefas mais pesadas são usados os cores dedicados à perfomance, caso contrário são usados os cores com elevada eficiência. O processador tem ainda a capacidade de usar os seis cores ao mesmo tempo.
Já há alguns anos que a Apple dá cartas no hardware, ultrapassando em muitos pontos a concorrência mas parece que finalmente deram a volta, devendo estar para breve a mudança para chips próprios nos seus computadores, já que o novo chip apresentado tem melhores perfomances do que alguns dos chips mais recentes da Intel.

O sistema de câmaras também foi renovado e, graças ao novo ISP que equipa o A11 Bionic é possível fotografar com o novo modo “Iluminação de Retrato”. A nova funcionalidade, do modelo Plus, chegará em beta mas pelas demonstrações parece muito bom. Para além disto, e no que se refere ao vídeo o iPhone é agora capaz de filmar em 4K a 60 fps. A melhor qualidade num smartphone segundo a gigante de Cupertino.

A Apple aproveitou ainda para reduzir as suas linhas de produtos, no que toca pelo menos ao número de modelos. Os modelos Preto Brilhante, Ouro Rosa e o Product (RED) desapareceram e os novos iPhone estão apenas disponíveis em 64GB e 256GB. Permitindo assim à empresa ter uma linha de produtos muito mais gerenciável.

A apresentação do iPhone 8 fica ainda marcada pela presença de Portugal durante a apresentação. Duas das fotos que demonstraram o novo sistema de câmaras foram fotografadas em Portugal, uma mostra a Ponte 25 de Abril, a outra o Bairro Alto, ambas em Lisboa.
Juntando isto com o facto de o Terreiro do Paço estar em destaque na página de produto do iPhone X, nota-se o crescente interesse da Apple em Portugal, e em Lisboa em específico. Facto esse que pode ser justificado por Lisboa estar cada vez mais na moda, levando a gigante a redobrar o seu interesse na capital portuguesa. Interesse esse que, e como na Apple nada é feito ao acaso, poderá significar que veremos num futuro, próximo ou não, a chegada da primeira loja oficial Apple ao nosso país.

Schiller, como sempre, fez um excelente trabalho a apresentar o novo iPhone. Em qualquer outro ano, em todos os sentidos, o iPhone 8 seria tão inovador e substantivo tem sido sempre. Este ano, porém, fica na sombra do iPhone X.

A “One more thing…”

A frase, protagonizada por Jobs, não é usada muitas vezes por Cook, mas este ano tanto o iPhone X como o momento que se estava a viver mereciam. O novo iPhone X, que se deve ler iPhone 10, é o início da nova década de iPhone.

Phil Schiller voltou ao palco para apresentar os detalhes do novo modelo: o iPhone X tem quase todas as novas funcionalidades do iPhone 8, mas acrescenta um ecrã OLED HDR, não tem bordas nem botão Home, tem estabilização ótica em ambas as câmaras traseiras, tem um novo sistema de câmaras True Depth à frente e troca o Touch ID pelo novo Face ID. A grande dúvida e um dos pontos fulcrais neste novo aparelho é saber se a falta de um botão Home e o controlo total por gestos, à lá Snapachat, resulta.

As pessoas odeiam a mudança. É por isso que melhor do que mudar é iterar, baseando o novo no que já nos é familiar. Foi assim com a transição do Skeuomorphism para o iOS 7 e é agora com a transição do botão Home para o controlo total por gestos. Grandes mudanças criam grande tensão. Sem elas, porém, o futuro está sempre a chegar mas nunca chega claramente.

O novo iPhone estará disponível em Cinzento Sideral e Prateado, em 64GB e 256GB, em mais um claro movimento da Apple para reduzir a linha de produtos do iPhone
O que não se percebe é o facto da Apple ter mantido a linha de produtos completa e não ter cortado nenhum modelo. Manter o iPhone SE é aceitável e até se percebe que a Apple o atualize, mas manter iPhone 6s, iPhone 7 e agora iPhone 8 e iPhone X não é compreensível.

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