Review: iPhone 11 Pro Max, é o smartphone mais completo do mercado?

IPhone 11 Pro Max

Já faz alguns meses em que a Apple apresentou os seus mais recentes dispositivos, nomeadamente os iPhones 11, 11 Pro e o iPhone 11 Pro Max.

No entanto, ainda há muitos utilizadores que eventualmente estarão indecisos se devem ou não adquirir um dos novos flagships da gigante de Cupertino, em particular a versão Pro, visto que os modelos Pro em específico, à partida serão os mais apetecíveis. A fim de saber se realmente vale a pena fazer um upgrade ao seu atual iDevice, ou quiçá ao seu dispositivo Android, fique atento à review do iPhone 11 Pro Max.

Embora, a review seja do modelo maior, também poderá servir como referência para o modelo mais pequeno, pois as diferenças de hardware são poucas. Efetivamente, as únicas diferenças são o ecrã mais pequeno e com menos resolução, a capacidade da bateria, o peso e o tamanho do dispositivo, evidentemente.

Assim sendo, será que o iPhone 11 Pro Max é o dispositivo mais completo do mercado? Será que, com a forte concorrência no universo Android, o iPhone e o seu exclusivo iOS ainda é um dispositivo que faz todo o diferencial em relação aos restantes que estão atualmente no mercado?

Especificações técnicas do iPhone 11 Pro Max

A princípio, as diferenças entre o iPhone XS Max e o 11 Pro Max, não são muitas. O iPhone 11 Pro Max conta com o novo processador A13 Bionic juntamente com o novo Neural Engine de 3ª geração. Esta é a principal diferença, visto que mantém os mesmos 4 GB de RAM que o modelo do ano passado. Além disso, está disponível com o armazenamento a começar nos 64 GB, 256 GB e 512 GB. Também traz um novo ecrã OLED de 6,5”  chamado Super Retina XDR com uma resolução de 2688 x 1242 com 458 ppi. O dispositivo pesa 226 gramas, tem 158 mm de altura, 77,8 mm de largura e 8,1 mm de profundidade. Também é resistente à agua, pó e salpicos com certificação IP68 até 30 minutos à profundidade máxima de 4 metros. Trás suporte ao eSIM, e uma bateria de 3969 mAh.

Em relação ao armazenamento, em pleno 2019/2020, não faz qualquer sentido apresentar um dispositivo com apenas 64 GB de armazenamento interno. Tendo em conta que se um utilizador gravar em 4K a 60 fps, rapidamente esgota o armazenamento do dispositivo. É simplesmente ridículo o modelo Pro começar somente nessa capacidade de armazenamento. 128 GB era o mínimo aceitável, tal como acontece na maior parte da concorrência do universo Android. Não se percebe a posição da Apple neste quesito. Pode ser que isso mude na próxima geração Pro. No meu caso tive de optar pela versão de 256 GB.

Design

iPhone 11 Pro Max

Relativamente ao design, pouco muda em relação aos modelos anteriores. Nesse sentido, o iPhone 11 Pro Max, segue a mesma linha de design que foi introduzida em 2017 com o iPhone X. Portanto, este é o terceiro ano em que a Apple mantém um design praticamente inalterado. Um pormenor de pouca relevância, é o facto do logótipo da Apple na traseira do dispositivo ter sido colocado ao centro, ao contrário dos modelos anteriores em que está colocado mais acima.

E o destaque vai precisamente para a traseira do dispositivo, que agora apresenta um acabamento mate, o que acaba por ser um aspeto positivo, pois acaba por ter uma melhor ergonomia, não sendo tão escorregadio nas mãos. Além disso, com acabamento mate, o dispositivo não é propenso a ficar com dedadas e impressões digitais marcadas na parte de trás. Relativamente às cores, o modelo em questão, está disponível nas cores Cinzento sideral, Prateado, Verde meia-noite e Dourado. A minha preferência foi para a cor prateada quando escolhi o meu iPhone.

Ecrã Super Retina XDR

Como já supracitado, a Apple estreou um novo ecrã OLED com uma resolução de 2688 x 1242 com com 458 pixeis por polegada, ao qual lhe chama Super Retina XDR. Embora continue a ser um painel OLED, na verdade a Apple incrementou melhorias interessantes. O novo iPhone, consegue níveis mais altos de brilho até 800 nits em conteúdo normal, e até 1200 nits em conteúdo HDR. Além disso, os novos painéis OLED prometem ser 15% mais eficientes. A tecnologia True Tone continua presente, e permite modificar automaticamente o contraste da tela de acordo com a luminosidade, oferecendo assim, as cores corretas em qualquer iluminação.

Inegavelmente, é um ecrã com uma excelente qualidade, e dos que apresenta a melhor calibração de cores atualmente no mercado. São muito poucos os modelos da concorrência que apresentam um ecrã com qualidade semelhante ao do iPhone. Segundo as minhas pesquisas, modelos como o Samsung Galaxy S20 Ultra, S10, Note 10 e OnePlus 7T foram os únicos, até agora, a apresentar novas melhorias em seus ecrãs. A Samsung com o lançamento do novo Galaxy S20 Ultra, conseguiu apresentar uma tela com nível de brilho entre 823 e os 1342 nits, e segundo a DisplayMate, é a melhor tela atualmente no mercado. Apesar disso, há que levar em conta que estes são testes cirúrgicos e efetuados com muito tecnicismo, logo as diferenças de qualidade são residuais, e o consumidor fica bem servido com uma tela num iPhone 11 Pro Max, como fica bem servido com uma tela dum Samsung Galaxy S20 Ultra.

3D Touch foi embora de vez

Anteriormente, todos os modelos desde o iPhone 6S (exceto o SE e o XR) vinham com a tecnologia 3D Touch. Apesar disso, a Apple resolveu retirar o 3D Touch dos modelos mais recentes, e substituiu-a pelo Haptic Touch, já estreada no iPhone XR em 2018. Basicamente o feedback háptico deixou de ser feito através de hardware, e passou e ser feito por software. Através dum long press é possível executar as mesmas tarefas, que anteriormente eram feitas através do 3D Touch. O diferencial é que a Apple adicionou um feedback vibratório, que é o que o distingue do long press já presente há muitos anos nos dispositivos Android. Enquanto utilizador, eu não sinto falta do 3D Touch, visto que o resultado é exatamente o mesmo que o Haptic Touch. Portanto não considero como um ponto negativo a Apple ter retirado a tecnologia 3D Touch.

As câmaras traseiras

iPhone 11 Pro Max e Samsung Galaxy S10 Plus

Em relação às câmaras, a Apple também apresentou um sistema de três câmaras traseiras com 12 MP cada uma, com a ultra grande angular, a grande angular e a teleobjetiva.

  • Ultra grande angular com abertura de ƒ/2,4 (distância focal de 13 mm) e um campo de visão de 120° e 4x maior
  • Grande angular com abertura de ƒ/1,8 (distância focal de 26 mm) com estabilização ótica de imagem
  • Teleobjetiva com abertura de ƒ/2,0 (distância focal de 52 mm) com estabilização ótica de imagem

Fotografia com a câmara Ultra Grande Angular

Aqui está uma foto tirada com a Ultra Grande Angular:

Fotografia com a câmara Grande Angular

A próxima galeria mostra exemplos de fotos com a Grande Angular:

Fotografia com a câmara Teleobjetiva (zoom óptico 2x)

Finalmente fotos disparadas com a Teleobjetiva do iPhone 11 Pro Max.

Conforme mostrado nas galerias, as três câmaras do iPhone conseguem resultados muito bons, estando entre as mais bem classificadas, atualmente no mercado.

Mais alguns exemplos de fotos tiradas pelo iPhone:

O incrível Modo Noite

Uma das funcionalidades também presentes no novo iPhone é o Modo Noite, que surpreendeu muito, e pela positiva. Já não é nenhuma novidade no mercado de smartphones, visto que a Google foi a pioneira a implementar essa tecnologia chamando-a de Night Sight, no Pixel 3. Contudo, a Apple não quis ficar atrás, e com a chegada do iPhone 11 Pro Max, elevou a fasquia, colocando a tecnologia na Grande Angular e na Teleobjetiva, mas somente nos modelos Pro. A Ultra Grande Angular, infelizmente não tem suporte nativo ao Modo Noite. E o iPhone 11 só tem essa funcionalidade na câmara Grande Angular.

Exemplos da incrível qualidade do Modo Noite no iPhone 11 Pro Max:

Agora as mesmas fotos sem o Modo Noite ativo:

Deep Fusion, o detalhe…

Com a chegada do iOS 13.2, a Apple implementou uma tecnologia chamada Deep Fusion, exclusiva para os iPhones 11. Assim sendo, esta tecnologia recorre ao Machine Learning do chip A13 Bionic e do Neural Engine para capturar imagens com melhores texturas, contraste, nitidez, detalhes significativamente melhores e com menos ruído, mesmo em condições de baixa luminosidade. Eis um exemplo com o Deep Fusion ativo:

Todavia, para que esta funcionalidade funcione terá de desativar a opção Capturar Fotografias fora da moldura nas Definições da Câmara. Essa funcionalidade só funciona na câmara Grande Angular e na Teleobjetiva. Mas os resultados do Deep Fusion são bastante surpreendentes.

Além disso, com as câmaras traseiras é possível obter zoom digital até 10x. Os resultados não são surpreendentes de todo. As fotos apresentam algum ruído, mas para este tipo de exposição acaba por ser normal. Além disso não há nenhuma estabilização em zoom digital 10x, logo não há milagres.

Modo retrato

Da mesma forma o Modo Retrato está presente e melhorado, com controlo de profundidade e um efeito bokeh (fundo desfocado) avançado. Exemplos com iluminação de Retrato com seis efeitos (Natural, Estúdio, Contorno, Palco, Palco mono e High‑Key Mono):

Do mesmo modo, a câmara grande angular e teleobjetiva têm estabilização óptica de imagem, e também é possível obter fotografias panorâmicas (até 63 MP) na ultra grande angular, na grande angular e na teleobjetiva.

A câmara frontal TrueDepth

Em relação à câmara frontal, a Apple introduziu uma lente de 12 MP com uma abertura de de ƒ/2,2 com algumas funcionalidades também presentes nas câmaras traseiras:

  • Modo Retrato com efeito bokeh (fundo desfocado) avançado e Controlo da Profundidade
  • Iluminação de Retrato com seis efeitos (Natural, Estúdio, Contorno, Palco, Palco Mono e High‑Key Mono)
  • Animoji e Memoji
  • Gravação de vídeo 4K a 24, 30 ou 60 fps e 1080p a 30 ou 60 fps
  • Compatível com vídeo em câmara lenta para 1080p a 120 fps
  • HDR inteligente de nova geração para fotografias
  • Gama dinâmica expandida para vídeos a 30 fps
  • Estabilização de vídeo cinematográfica (4K, 1080p e 720p)
  • Fotografias e Live Photos com vasta gama de cores
  • Retina Flash
  • Estabilização de imagem automática
  • Modo contínuo

Alguns exemplos de fotos tiradas com a câmara frontal do iPhone 11 Pro Max:

Os resultados da câmara frontal também surpreendem pela positiva. Consegue-se perceber que a excelente calibração de cores, é efetivamente um ponto muito positivo, tanto nas câmaras traseiras como na frontal.

Gravação de vídeo

Já é sabido que a gravação de video no iPhone é extraordinariamente boa em termos de qualidade. Nesse sentido, o iPhone 11 Pro Max melhora ainda mais essa experiência, com um HDR ainda melhor. A gravação de vídeo é muito mais suave que os modelos anteriores. A qualidade e os detalhes dos vídeos são excelentes, e fazem do iPhone 11 Pro Max o melhor dispositivo móvel para gravação de vídeos, atualmente no mercado. A saber, estas são as funcionalidades presentes na gravação de vídeo do iPhone 11 Pro Max:

  • Gravação de vídeo  a 4K (24, 30 ou 60 fps) a 1080p HD (30 ou 60 fps)
  • Gravação de vídeo 720p HD (30 fps)
  • Gama dinâmica expandida para vídeos até 60 fps
  • Estabilização óptica de imagem para vídeo (grande angular e telefoto)
  • Zoom ótico 2x ampliar/afastar; zoom digital até 6x
  • Flash True Tone mais brilhante
  • Vídeo QuickTake com seguimento do motivo
  • Compatibilidade com vídeo em câmara lenta para 1080p a 120 ou 240 fps
  • Vídeo time-lapse com estabilização
  • Estabilização de vídeo cinematográfica (4K, 1080p e 720p)
  • Vídeo com focagem automática contínua
  • Fotografias de 8 MP e vídeo 4K em simultâneo
  • Zoom durante a leitura de vídeo
  • Formatos de vídeo gravados: HEVC e H.264
  • Gravação em estéreo
  • Zoom de audio

Face ID mais rápido

Albergado ao lado da câmara TrueDepth encontra-se o Face ID ainda mais rápido que as gerações anteriores, presentes no iPhone X e XS. Segundo a Apple o Face ID é 30% mais rápido e funciona a uma distância maior, e em mais ângulos. Efetivamente, o Face ID é sem sombra de dúvida a autenticação mais segura num smartphone, atualmente.

Mas na minha opinião falha apenas num aspecto. Ainda não é possível desbloquear o dispositivo pelo Face ID, na horizontal, embora isso já seja possível no iPad Pro, e até no Pixel 4 da Google. Embora no caso do desbloqueio facial do Pixel 4, haja uma falha ainda mais grave. Mesmo com os olhos fechados, o dispositivo é desbloqueado. Ao que tudo indica a Google prometeu resolver essa falha no Pixel 4, mas até à data ainda não o fez. Felizmente isso não acontece no Face ID do iPhone. Portanto, pode dormir descansado, que ninguém conseguirá desbloqueá-lo, visto que a opção de desbloqueio com os olhos abertos vem ativa por defeito. Contudo, essa opção dá para desativar nas definições do Face ID.

Concorrência feroz na fotografia…

Uma vez que o mercado de smartphones anda a “ferro e fogo” principalmente na questão da fotografia e vídeo, a concorrência não pára, e neste momento já há smartphones com pontuações melhores que o iPhone 11 Pro Max.

Segundo a DxOMark, a lista de melhores smartphones para fotografia em geral, apresenta o Pro Max na 6ª posição e à data desta publicação, ainda nem foi testado o Samsung Galaxy S20 Ultra. Para melhor smartphone em vídeo, o topo de gama da Apple ainda continua em primeiro lugar. No entanto, deixo uma ressalva muito importante. De acordo com Robert Triggs do Android Authority as classificações da DxOMark não devem ser a referência única e definitiva para saber qual a melhor câmara móvel do mercado. Afinal de contas, a DxOMark é uma empresa de consultoria.

A Apple não tem qualquer protocolo ou pareceria com essa empresa, ou seja, não paga serviços de consultoria. A mesma opinião vem de Stephen Warwick e Rene Ritchie. Embora todos reconheçam que a DxOMark é uma empresa de grande referência na área da fotografia, leve sempre em consideração que a tecnológica que mais paga à DxOMark, é a que à partida, será beneficiada nas pontuações.

Outro ponto também importante nesta questão, é que quem paga mais pelos serviços de consultoria, evidentemente que têm o melhor aconselhamento relativamente ao melhor hardware e software para as câmaras fotográficas. Seja como for, o iPhone é um dos melhores equipamentos móveis para fotografia e vídeo. Já há melhores? Sim. Fazem uma diferença significativa? Não. O conselho é, se para si a fotografia e vídeo é o factor decisivo na compra dum dispositivo, veja por si mesmo qual o seu gosto e preferência antes de comprar, e informe-se em sítios diferentes. Afinal, hoje em dia há muitas fontes de informação confiáveis, onde poderá obter mais informações relativamente a essa matéria. Também “testar” os dispositivos em lojas físicas, poderá eventualmente ajudar à decisão.

SoC A13 Bionic, poderoso, económico, mas com concorrência

Outro grande trunfo da Apple, é o seu chip hexa-core A13 Bionic com CPU de 6 núcleos e GPU de 4 núcleos. Dessa forma, o CPU do A13 Bionic tem 2 núcleos de alta performance ao qual a Apple os batizou de Lightning, com velocidade até 2.66 GHz, e 4 núcleos de eficiência energética batizados de Thunder, com velocidade até 1.73 GHz. Os dois núcleos de alta performance são 20% mais rápidos que o A12, mas consomem menos 30% de energia. Semelhantemente, os os 4 núcleos de eficiência energética, também têm mais 20% de “poder de fogo” e consomem menos 40% de energia. Da mesma forma, a unidade de processamento gráfico de 4 núcleos (GPU) tem um desempenho gráfico 20% mais rápido, com uma eficiência energética 40% menor em relação ao A12 Bionic. Por fim, o Neural Engine de 3ª geração é 25% mais rápido e consome menos 30% de energia face ao Neural Engine de 2ª geração do A12. A nível de processamento, a melhoria do A13 em relação ao A12, não é enorme, e está longe de ser uma atualização completa, mas ainda assim é um processador muito poderoso.

Com efeito, o A13 Bionic foi projetado no processo N7P pela TSMC, com uma litografia de 7 nanómetros com 8,5 mil milhões de transístores. Na verdade, o SoC A13 é tão poderoso, que até a concorrência do universo Android admite que a Apple está duas gerações à frente dos Qualcomm Snapdragon. No entanto com a chegada do Snapdragon 865, esse ciclo poderá ser interrompido. De acordo com Gary Sims do Android Authority, testes sintéticos de benchmark entre o CPU Snapdragon 865 e o Apple A13 Bionic mostram um desempenho superior do 865, embora com uma diferença muito residual, face ao A13 Bionic. Por outro lado o GPU da Apple ainda leva uma vantagem sobre a GPU do Snapdragon, mas também com uma diferença muito residual. No entanto, há que ressaltar que o 865 é um chip que ainda mal chegou a alguns smartphones Android topo de gama, e os resultados poderão não ser tão lineares como esperado. O que se sabe é que os dois CPUs e GPUs estarão “taco a taco” na questão de performance e processamento gráfico, até ao lançamento da próxima geração dos chips Apple e Qualcomm Snapdragon.

Por certo, isto acaba por ser um não assunto para o comum utilizador, pois essas diferenças acabam por não ser muito percetíveis na utilização diária. O facto, é que o desempenho do A13 Bionic, não o irá desiludir de todo. O iPhone 11 Pro Max, é efetivamente um dispositivo extremamente rápido, e cumprirá com as tarefas que lhe são exigidas de forma exímia, e por muito tempo.

Chip U1 Ultra Wideband

Por conseguinte, no system-in-package (SiP) a Apple integrou o chip U1 Ultra Wideband, (banda ultra larga) no iPhone 11 Pro. Assim sendo, o iPhone foi o primeiro smartphone do mercado a receber esta tecnologia. Embora ela já tenha alguns anos, só agora é que ficou barata e compacta o suficiente para ser embutida num smartphone. Dito de uma forma simples, o chip U1 UWB  é um protocolo de comunicação sem fios de curto alcance que, como o Bluetooth ou Wi-Fi, utiliza ondas de rádio. Mas difere substancialmente porque opera com uma frequência muito alta. Isso permite que o iPhone 11 Pro detete a sua localização exata em relação a outros dispositivos Apple com processador U1 através do reconhecimento espacial. O AirDrop já faz uso dessa tecnologia, para uma partilha de ficheiros muito mais rápida. Ainda assim, uma panóplia de funcionalidades estará disponível com recurso à Ultra Wideband, como por exemplo localizar dispositivos dentro dum edifício, ou abrir portas sem recorrer a chaves. Haverá novidades no futuro, neste quesito.

Finalmente uma bateria exemplar

Eventualmente, muitos já ouviram falar da excelente capacidade das novas baterias, especialmente do iPhone 11 Pro Max, que recebeu uma bateria de 3969 mAh, o que representa um aumento de 25% face ao iPhone XS Max. Com estes valores o Pro Max tem uma bateria com valores equiparados a alguns smartphones Android. Com isso, a bateria do iPhone 11 Pro Max apresenta os melhores resultados do mercado. Eis a minha utilização durante um dia:

Num dia normal, retirei o meu iPhone da carga às 10:37 da manhã, e às 00:04 encontrava-se com 38% de bateria restante, com as notificações todas ativas, Wi Fi, 4G, e Bluetooth ligado . Posso dizer que até foi uma utilização intensiva. Para um utilizador menos intensivo, a bateria poderá durar entre dois a três dias. É evidente que o processador e uma tela OLED mais eficiente, também ajudam muito a chegar a estes valores. Também o Dark Mode, (Modo Escuro) novidade estreada no iOS 13, ajuda a poupar bateria. Além disso, o Modo Escuro dá aos utilizadores uma excelente experiência de visualização em ambientes com baixa luminosidade, não prejudicando a visão com uma luminosidade muito intensa.

Notas finais

Respondendo objetivamente às questões colocadas no inicio. É o iPhone 11 Pro Max o dispositivo mais completo atualmente no mercado? Na minha opinião, sim pelos seguintes pontos:

  • Acaba por ter o melhor SoC (A13 Bionic) atualmente no mercado, com um desempenho irrepreensível.
  • Uma bateria com uma excelente autonomia, mesmo para os utilizadores mais intensivos, que é uma das melhores do mercado.
  • Em relação ao ecrã, é simplesmente fantástico, com detalhes muito residuais face ao do Samsung Galaxy S20 Ultra.
  • Conta com um conjunto de câmaras com uma excelente qualidade, que também é das melhores do mercado, e com uma calibração de cores excelente.
  • O Face ID é o método de autenticação mais avançado e funcional num smartphone. Só com a chegada do Pixel 4, é que a Google conseguiu entregar um sistema semelhante ao da Apple, mas com mais de dois anos de atraso, e ainda tem que melhorar um pouco. Eu não faço questão de voltar a ter um iPhone com sensor biométrico (TouchID). O Face ID é muito mais rápido e prático.
  • Além disso só no iOS é que é permitido usar o Reconhecimento Facial como segurança adicional em apps de terceiros, como apps de Homebanking, clientes de email, mensageiros (Telegram, WhatsApp, etc.) elevando ainda mais a segurança e a privacidade do utilizador. Os desenvolvedores deste tipo de software ainda não confiam no reconhecimento facial do Android.
  • Actualizações de software por vários anos, que em alguns casos pode ultrapassar os 5 anos. O que à partida, garante as atualizações de segurança mais recentes.
  • Software exclusivo na App Store, que infelizmente não se encontra disponível na Google Play Store. As alternativas que existem na loja de apps da Google não têm nem de longe, a mesma qualidade.
  • Outro ponto, é que mesmo o software que é transversal às duas plataformas, está muito mais bem “desenhado” no iOS em relação ao Android, embora as funcionalidades básicas do software estejam presentes em ambas as plataformas.
  • O iOS também não está imune a vulnerabilidades é um facto, mas em comparação com dispositivos Android é mais seguro.
  • O ecossistema Apple, que é provavelmente o maior trunfo que a gigante de Cupertino tem. A integração, entre iPhone, iPad, Mac, Apple Watch, Apple TV, AirPods, quer seja a nível de hardware e software, é duma praticidade sem igual.
  • Por fim, é possível ter o melhor de tudo num iPhone. Falo especificamente de software. Posso ter todo o software e serviços Apple, Google, Microsoft, etc, no meu iDevice. Num Android, software e serviços proprietários Apple, são quase inexistentes.

É verdade que em certos quesitos, não é o melhor, mas apesar desses detalhes, consegue entregar ao consumidor a melhor experiência de utilização num smartphone, seja a nível de hardware ou software. O preço não é nada apelativo, mas no geral para quem dá valor a um “pacote completo”, está diante do smartphone mais completo do mercado. A questão resume-se muito facilmente. Para ter tudo o que o iPhone me oferece, no Android teria de adquirir dois ou três equipamentos diferentes, e ainda assim faltaria o iOS, apps exclusivas da App Store, apps proprietárias made by Apple, e os seus serviços precisamente.

Todavia, os smartphones com o sistema operativo Android estão muito melhores, e em certos pormenores até estão melhores que o iPhone. Mas mesmo assim, será que o o iPhone e os seu exclusivo iOS ainda é um dispositivo que faz todo o diferencial em relação à concorrência que está atualmente no mercado? Esta questão já tem mais a ver com gosto pessoal, ou necessidade. O utilizador é que terá de avaliar se necessita de todos estes recursos e funcionalidades, e se vale a pena dar uma pequena fortuna por um aparelho electrónico. A verdade é que o iOS, além dos pontos que citei acima, consegue ser um sistema mais robusto, mais estável, menos propenso a falhas e vulnerabilidades face ao Android. E digo isto por experiência própria, pois uso iOS e Android com as versões mais recentes, iOS 13.3.1 e Android 10, e como “daily drivers”. O ponto que merece mais destaque no iOS, na minha opinião, tem mais a ver com software, conforme supracitado.

Pontos positivos

  • Ecrã excelente (o melhor de 2019, e será dos melhores em 2020)
  • Bateria com excelente autonomia
  • Modo noite com resultados incríveis
  • Boa qualidade sonora dos speakers
  • Desempenho do A13 Bionic

Pontos negativos

  • Sem suporte ao 5G
  • Ultra Grande Angular sem Modo Noite
  • Sem USB-C
  • Falta do carregamento sem fios reverso para os AirPods ou Apple Watch
  • O mesmo design pela 3ª vez
  • Armazenamento a começar apenas nos 64GB

Embora coloque a falta do 5G como um ponto negativo, a verdade é que a implementação da nova frequência em Portugal parece estar um pouco atrasada, e à partida muito poucos utilizadores tirariam partido do 5G. Porém para o preço pedido, fazia todo o sentido trazer o modem 5G. Infelizmente a Apple não foi a tempo de resolver as divergências com a Qualcomm, e não foi possível incluir a tecnologia 5G nos novos topos de gama da gigante de Cupertino.

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