Review: iPhone 8 Plus, um mês depois

IPHONE 8 PLUS: UM MÊS DEPOIS

Na sombra do X.

Por: Rogério Moreira | @rgllm | 25 de outubro, 2017

Acostumei-me a que cada vez que escrevia uma nova review de um novo iPhone as pessoas me perguntavam que tal era, que coisas novas tinha ou se estava a gostar da experiência. Este ano foi diferente. Durante o período de escrita desta review foram poucos os que demonstraram grande interesse pelo iPhone que eu estava a usar.
O foco – não só do publico mas também da Apple – está no iPhone X, um novo design, novas funcionalidades e um novo paradigma do smartphone da Apple.
O iPhone 8 não tem nada disso. O 8 e 8 Plus partilham o processador, capacidade de carregamento sem fios e câmaras similares com o iPhone 10, mas falta todo o novo conceito por detrás do novo topo de gama da gigante de Cupertino.
A prova disto está nas “poucas” vendas que o iPhone 8 tem tido em comparação com os modelos anteriores. O iPhone X é a visão da Apple do futuro dos smartphones, contudo o iPhone 8 é a garantia da Apple para chegar a todo o lado. Não deixando de ser um iPhone, com tudo o que isso acarreta.

DESIGN

Não estejamos com rodeios, já vimos este design antes. O design do iPhone 8 é a quarta geração do design do iPhone 6. Segundo a Apple, o iPhone 8 tem um design totalmente novo, mas já foi assim com o 6S e com o 7. É verdade que quando se chega a um design quase perfeito, é difícil reinventar e torná-lo ainda melhor. A Apple prefere ir fazendo retoques ao design ano após ano. A grande diferença que a Apple preparou para este ano foi a mudança para vidro na traseira, mudança essa devido ao carregamento sem fios. E não, não vai ter que deitar as suas capas do iPhone 7 e 7 Plus, elas servem perfeitamente no novo modelo.
A traseira em vidro torna o aparelho mais pesado, o que não se torna necessariamente mau. O peso a mais e o vidro tornam-o, em relação ao 6 e ao 7, mais fácil de segurar e menos escorregadio, parecendo mais seguro na mão. A Apple afirma que o vidro é o mais resistente de sempre, mas pareceu-me bastante frágil e suscetível a arranhões.
Estão disponíveis três cores: dourado, prateado e cinzento sideral. O modelo com o qual fiz esta review foi o dourado mas a cor foi um ponto negativo. Simplesmente não é dourado, é um creme a fugir para o cor de rosa que pode deixar qualquer machão com vergonha por ter comprado o seu novo iPhone em dourado.
O ponto a ficar é: o dinheiro que vai gastar no iPhone 8 não o torna proprietário de um smartphone com um design de vanguarda, porque isso está reservado para o iPhone X.

CÂMARA

A Apple é, há vários anos, uma das referências no que toca a câmaras fotográficas, contudo nos últimos anos tanto a Samsung como a Google têm feito grandes progressos. Rankings à parte, as fotografias do iPhone 8 são muito boas. Em comparação com as fotos tanto do S8 como do Pixel 2, as do iPhone 8 parecem mais realistas, em vez das cores saturadas presentes nos aparelhos Android.
Os novos modos de vídeo incluem, 4K a 60fps e 240fps a 1080p. Os dois resultam muito bem e embora até mesmo os 64GB de memória se esgotem rápido estamos cada vez mais próximos de ver os nossos smartphones a substituirem as câmaras digitais.

ILUMINAÇÃO DE RETRATO

A grande novidade deste ano do iPhone 8 Plus foi a Iluminação de Retrato, que simula efeitos de luz desde luz de estúdio, luz natural, luz de palco e contorno. A novidade embora em beta já se comporta muito bem. Contudo, em alguns dos nossos testes em que os cenários não eram os mais adequados a novidade deixou a desejar falhando em alguns casos a contornar os rostos. No entanto, a novidade usa a inteligência artificial da Apple e, à semelhança do que aconteceu com o Modo de Retrato do iPhone 7 Plus, é natural que a novidade se vá aprimorando por si só à medida que é usada. Provavelmente quando sair de beta já estará pronta a usar por todos, em todas as situações.

Original
Luz de estúdio
Luz de contorno
Luz de palco
Luz de palco mono

A BATERIA E O CARREGAMENTO SEM FIOS

O vidro na traseira permite agora o carregamento sem fios pelo padrão Qi, usado por toda a indústria, com todos os benefícios e defeitos que isso acarreta. Por um lado o padrão é universal, ou seja, não terá que comprar o carregador sem fios da Apple para poder carregar o seu iPhone, no entanto o padrão é muito lento. Nos meus testes o iPhone 8 Plus demorava cerca de 30 minutos a carregar 15% de bateria, num carrregador da Mophie, no entanto segundo a Apple virão novidades a este respeito numa próxima atualização do iOS, talvez o iOS 11.1.
O iPhone 8 suporta também carregamento rápido, que é sem dúvida muito bem-vindo. Há anos que os utilizadores pediam e depois de toda a indústria ter adotado o carregamento, algumas explosões pelo meio, a Apple decidiu colocar no novo iPhone. Contudo, os resultados só são visíveis caso se utilize um carregador de 29W USB-C, aquele que equipa os MacBook, não estando portanto incluído na caixa. Um grande ponto negativo. Este tipo de carregamento é capaz de aumentar 40% em menos de 30 minutos, no modelo Plus que testei.
Quanto à bateria há muito pouco a dizer. Estou habituado a utilizar o meu 6S e claro que quando mudei para um novo iPhone e ainda por cima o modelo Plus as diferenças foram notadas, passando a não ter que carregar comigo uma powerbank e tendo bateria todo o dia fazendo o que sempre fiz.

ECRÃ

A grande mudança ao nível do ecrã é o True Tone, funcionalidade já disponível há algum tempo nos iPad e que finalmente chegou aos iPhone. O True Tone através dos sensores de luz ambiente presentes na frente do telemóvel medem a luz e ajustam o tom do ecrã (mais amarelo ou menos amarelo) conforme a luz natural.

O PROCESSADOR E A RAPIDEZ

D entro do iPhone 8 está uma besta. O novo processador A11 Bionic, o mesmo que equipa o iPhone X, é capaz de muito. Como já falamos aqui anteriormente a Apple é, cada vez mais, pioneira no desenho de processador móveis e os resultados estão à vista. O processador tem seis cores, dois deles dedicados à performance e quatro deles dedicado à eficiência. Para além disto, é o primeiro chip com uma GPU totalmente desenhada pela Apple. Os meus testes no benchmark comprovaram aquilo que os olhos já tinham comprovado: é muito rápido. Alcançando melhores resultados que os MacBook Pro de 13 polegadas.
Uma curiosidade: o novo processador chama-se A11 Bionic apenas por marketing. A Apple notou que nomes como A8 ou A9 não eram muito emocionantes como os dos seus competidores e daí a mudança para A10 Fusion o ano passado e o Bionic este ano.

ARKIT

A grande mudança na perfomance é notada quando usamos aplicações compatíveis com o novo ARKit no iOS 11. Para alguém que, como eu, estava habituado a experimentar estas aplicações no iPhone 6s as mudanças são muitas. Uma das que mais me surpreendeu foi a do IKEA, algo realmente útil e que pode sem dúvida ajudar na decisão da compra. Outra das que é realmente útil é uma fita métrica para iOS, usando o ARKit que é bastante precisa.
Há tudo um novo futuro de interações no mundo móvel, estando a realidade aumentada a passar de apenas demos para algo que faz parte do core de qualquer programador. Os novos esforços da Apple estão a dar frutos mas não é preciso um iPhone 8 para experimentar.

APPLE WATCH S3

Para além do iPhone 8 Plus, tive a oportunidade de trazer ao pulso durante um mês o novo Apple Watch Series 3. Como todos sabemos, uma das principais funcionalidades da nova versão, os dados móveis, não chegou (ainda) a Portugal tornando-o esta versão numa compra pouco vantajosa para aqueles que já têm um relógio da Apple, especialmente depois versão S1.
Normalmente costumo trazer no pulso o meu Apple Watch S0 e as diferenças, principalmente na rapidez com que tudo é executado, são notáveis. Contudo, acredito que para aqueles que já possuem uma versão mais recente as diferenças entre os dois não sejam muitas.
A Siri pode ser agora ativada a partir do Watch, algo que antes não acontecia. Basta fazer um simples “Hey Siri” e o dispositivo mais perto, seja o iPhone ou o Apple Watch é ativado. Para além disto, o Apple Watch tem agora uma altímetro incorporado que nos meus testes não funcionou a 100% e a aplicação de Batimento Cardíaco mostra agora os batimentos em repouso ou em ativo.
O meu conselho? Vale a compra para quem ainda tem um S0 mas quem tem as versões posteriores não vale, pelo menos em Portugal. Um facto a referir é: mesmo que comprem no estrangeiro compatíveis com dados móveis, não vão funcionar em Portugal.

Depois de passar um mês com o iPhone 8, não encontro razões para alguém atualizar do 7. O iPhone 7 é rápido, tem quase o mesmo design e quase todas as funcionalidades do 8 com o iOS 11. Se o carregamento sem fios é algo importante basta comprar uma capa de 20€ com suporte para tal. Os efeitos de luz também são algo exclusivo já que há bastante aplicações na App Store que fazem coisas parecidas.
O iPhone 8 está disponível nas versões de 4,7 e 5,5 polegadas com capacidades de 64GB ou 256GB em Dourado, Prateado ou Cinzento Sideral. Os preços começam nos 829€ para o modelo de entrada e 939€ para o modelo Plus.
O iPhone 8 não deixa de ser um grande iPhone, é a evolução natural do iPhone. Se não fosse o décimo aniversário desde a sua apresentação inicial talvez esta review tão seria igual, mas não podemos ignorar o que aí vem. Não é o futuro, mas continua a ser um iPhone.
Agradecemos à Ponto Sagres e à Switch Technology pela cedência dos aparelhos. A eles o nosso muito obrigado!

2 comentários

  1. Joe 1 mês atrás

    O IPhone 8 não suscita curiosidade mesmo no Ifans mais dedicados.

    A única coisa que me deixou interessado era o novo watch mas as operadoras em Portugal gagaram d’alto.

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  2. Rui Carneiro 4 semanas atrás

    “Depois de passar um mês com o iPhone 8, não encontro razões para alguém atualizar do 7.”

    Maior parte da população interessada num telemóvel, não tem um iPhone 7, maior parte dos utilizadores iOS, não têm um iPhone 7, e a maior parte dos detentores de iPhone 7, tem o telemóvel há 12 meses ou menos, e a maior parte das pessoas não troca de telemóvel em menos de 12 meses, a não ser que seja uma troca programada, aconteça o que acontecer…

    Quem tem um 7, e se vai atualizar, vai para o X, e muito por ser uma gama nova.

    Fora isso, review excelente.

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