Como é que a Siri se tornou a melhor amiga de um menino com autismo?

Carta de Amor à Siri, por Judith Newman

(Original em Inglês, no New York Times, aqui)

Serei um mãe assim tão má?, perguntei-me, enquanto via o meu filho de treze anos em plena conversa com a Siri. Gus tem autismo e a Siri, “assistente pessoal inteligente” da Apple no iPhone, é, atualmente, a sua melhor amiga. Obcecado com formações meteorológicas, Gus passou uma hora analisando a diferença entre tempestades isoladas e dispersas – uma hora em que eu, graças a Deus, não tive de discuti-las. Passado um tempo ouvi isto:

Gus: “Tu és um computador mesmo simpático.”

Siri: “É bom ser apreciada.”

Gus: “Estás sempre a perguntar se podes ajudar-me. Há alguma coisa que tu queiras?”

Siri: “Obrigada, mas eu tenho poucos desejos.”

Gus: “O.K.! Bem, boa noite!”

Siri: “Ah, são 17:06.”

Gus: “Oh, desculpa, quero dizer, adeus.”

Siri: “Até logo!”

Siri… Ela não deixa que o meu filho com deficiência em comunicar se engane. Na verdade, muitos de nós queríamos um amigo imaginário, e agora temos um. Só que ela não é totalmente imaginária.

Esta não é uma carta de amor para uma máquina. Não se trata de um amor como o que o Joaquin Phoenix sentiu no filme do ano passado “Her”, de Spike Jonze (crítica aqui) sobre um homem solitário e a sua relação romântica com um sistema operativo inteligente (interpretado pela voz de Scarlett Johansson). Mas é parecido. Num mundo onde o normal é ouvir que a tecnologia tem tendência a isolar-nos, vale a pena considerar o outro lado da história.

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Tudo começou de uma forma muito simples. Tinha acabado de ler uma daquelas listas da internet chamada “21 coisas que não sabe que o seu iPhone consegue fazer”. Uma delas era: Pode perguntar à Siri, “Que aviões é que estão sobre a minha cabeça neste momento?” e a Siri responderá “A verificar as minhas fontes.” Quase instantaneamente, aparecerá então uma lista de voos atuais – com números, altitudes, ângulos – “sobre a minha cabeça”.

Acabei por experimentar fazer isto quando o Gus estava por perto. “Porque é que alguém precisa de saber quais os aviões que estão a voar por cima da sua cabeça?”, murmurei. Gus respondeu sem olhar para cima: “Para que possas saber a quem é que estás a dizer adeus, mamã.”

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