Sumo de Maçã: Desta vez foi Taylor Swift quem deu música à Apple

O palco estava montado, as cadeiras alinhadas, os bilhetes esgotados mas quem apareceu quando a cortina se abriu foi Taylor Swift e não a Apple como todos esperavam.

Os acordes eram os do costume, a Apple preparava-se para ditar as regras e os jogadores só tinham de seguir a ‘cartilha’ se quisessem aceder aos cerca de 70% das receitas provenientes das subscrições do Apple Music que iam começar a cair nos cofres californianos… O problema é que Taylor Swift não foi na cantiga e o resultado foi um recuo pouco habitual para os lados de Cupertino.

Mas afinal porque é que desta vez a Apple cedeu?

Para mim a principal razão não foi a carta aberta da Taylor. Também não acredito numa birra de uma das sobrinhas de Tim Cook, que idolatra a artista e se assume como fã nº1. Não foram tão pouco as preocupações com os restantes artistas, nem os ‘trocos’ que a Apple ia poupar nesses 3 meses; foi sim o Spotify.

Não é uma situação normal, mas desta vez a Apple não parte em primeiro. O Spotify é o serviço de streaming de música actualmente líder no mercado, com mais de 60 milhões de utilizadores tornando-se naturalmente no principal alvo a abater. E qual a melhor forma de o Apple Music fazer a ultrapassagem? Começar por oferecer aquilo que o concorrente não tem, itens exclusivos no seu catálogo de música e nesse aspecto Taylor Swift era uma carta que não podia ser menosprezada. Como provavelmente se recordam, a cantora retirou em Novembro último todos os seus temas do serviço de streaming do Spotify, o que alimentou uma polémica e um buzz semelhante com o que neste momento se gerou em torno do Apple Music. No entanto nesse período o Spotify cresceu como nunca tinha crescido, fruto do aumento da notoriedade do serviço que o burburinho nas redes sociais provocou. Agora foi a vez de a Apple aproveitar esse mesmo efeito, arrecadando para si mais uma vaga de promoção ao serviço que está prestes a lançar, se não vejamos, muitos de nós já tinham conhecimento do lançamento do serviço e até dos seus preços de subscrição, mas quantos saberiam que os primeiros 3 meses seriam grátis?

E após esta polémica quantos ficaram a saber que poderão contar com um novo serviço de streaming de música, gratuito durante um trimestre e ainda por cima onde podem ouvir Taylor Swift?

À primeira vista poderia parecer que a Apple sairia fragilizada com toda esta novela, mas se refletirmos calmamente, sem entrar no frenesim dos comentários, likes e tweets, quem mais uma vez saiu por cima foi a malta da maçã. O Spotify vai ter de apresentar argumentos bastante fortes para segurar a liderança neste mercado, o que não vai ser deveras fácil pois do outro lado o catálogo conta com artistas exclusivos, que as pessoas querem ouvir e acima de tudo que oferece uma experiência integrada, entre o software (Apple Music) e o hardware (Iphone, iPad, Mac, Apple Watch). No meu entender o principal objectivo de Tim Cook e companhia é que os utilizadores fiquem cada vez mais leais e ‘presos’ ao ecossistema Apple, ou já se esqueceram do que o iTunes fez com o iPod, essa última grande parceria de sucesso no mundo da música.

“Sumo de Maçã” é um espaço de opinião obtido directamente da actualidade Apple concentrada. Rico em antioxidantes deve beber-se bem fresco logo pela segunda-feira.

 

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