Review: Quarta geração da Apple TV

Uma suposta renovação da Apple TV foi, durante os últimos anos, um dos rumores mais frequentes cada vez que a Apple realizava um evento. As preces foram finalmente ouvidas em Setembro deste ano, com a Apple a apresentar a quarta-geração deste dispositivo.

Pessoalmente, vi este lançamento com grande entusiasmo e, depois de um uso intensivo desta nova Apple TV, há vários argumentos positivos e negativos que merecem destaque. Depois do Unboxing, esta é a review oficial do iClub à 4ta geração da Apple TV.

Apple TV

A nova Apple TV pode ser classificada como uma pequena máquina com um potencial fantástico mas ainda na sua fase embrionária. As suas dimensões são superiores à versão da terceira geração mas isto é compreensível, considerando a potência de hardware extra que este novo dispositivo tem. Apesar na melhoria nesta vertente, é o software que traz as novidades mais interessantes.

Pela primeira vez a Apple TV vem com um sistema operativo exclusivo, o tvOS. Tal como o WatchOS (que vem instalado nos Apple Watch), o tvOS é um derivado do iOS mas adaptado às necessidades da Apple TV. O tvOS tem duas importantes características que distinguem esta Apple TV das suas antecessoras: Siri Universal e App Store.

No que diz respeito à Siri Universal, a funcionalidade é bastante interessante porque permite procurar pelo melhor conteúdo dentro de diferentes apps. Assim, em vez da pesquisa oferecer apenas uma alternativa, a pesquisa com a Siri oferece uma variedade de ofertas cabendo depois ao utilizador escolher a que mais lhe interessa. No entanto, esta funcionalidade apenas está disponível em 8 países e (surpresa das surpresas) Portugal não está inserido nessa pequena lista. Assim, os utilizadores terão que ter o sistema operativo noutra língua como o Inglês ou o Alemão.

App Store – Apps e Jogos

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“Diz-me o conteúdo que tem, e dir-te-ei o sucesso da plataforma!” – esta máxima adaptada tornou-se universal quando se fala dos vários sistemas operativos que existem actualmente. O sucesso de plataformas como iOS, Android e agora a tvOS dependem a 100% do conteúdo (apps e jogos) que estão disponíveis. Quanto em maior quantidade e mais diversificadas melhor e, neste sentido, a Apple TV ainda tem muito caminho para percorrer.

A App Store da Apple TV ainda está na fase embrionária e, prova disso, é o facto de esta apenas ter cerca de 3 mil apps/jogos. O valor é reduzido quando comparado com as 27 mil apps para Mac e as  mais de 1 milhão e 200 mil apps existentes para a plataforma iOS.

No entanto, isso não significa que esta App Store seja um deserto em termos de conteúdo. Nesta altura já há conteúdo diversificado e bom para a AppleTV. Jogos como Rayman Adventures (simplesmente genial) e Jetpack Joyrider ganham nova vida na Apple TV, graças também ao Siri Remote que funciona na perfeição.

É importante referir que a Apple TV não é minimamente comparável com as actuais consolas de jogos como Playstation 4 ou Xbox One. A jogabilidade, grafismo, títulos de jogos da Apple TV nunca estarão ao nível das outras consolas mas a grande vantagem é o preço.

O sucesso da Apple TV, como plataforma de entretenimento, vai depender em grande escala do conteúdo que o utilizador tem subscrito. iTunes, Apple Music, Nextflix, Hulu etc… são serviços que estão disponíveis na App Store mas sempre com um preço associado. Quem tiver Netflix poderá tirar proveito dela na Apple TV, quem quiser pode gastar dinheiro em vídeos na iTunes Store.

Para além de adaptar apps e jogos já existentes, neste momento torna-se necessário criar conteúdo original, desenhado especificamente para a Apple TV. Ainda há imensa margem de progressão na App Store e, no próximo par de anos, deveremos ter certamente um boom na expansão desta plataforma.

 

Comandos

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A nova Apple TV vem com um inovador Siri Remote… Desculpem, Apple TV Remote queria eu dizer! Este novo comando, que tem dupla personalidade, é uma das principais “armas” da Apple para este novo dispositivo mas, infelizmente, acaba por ser um bocado limitante.

O Siri Remote apenas é comercializado com este termo em 8 países enquanto que no resto do mundo, incluindo Portugal, o comando é denominado de Apple TV Remote. Isto acontece porque uma das mais importantes características da Apple TV, a sua pesquisa universal Siri, apenas está disponível naquele número reduzido de países. No entanto, é importante mencionar que o comando é exactamente igual independentemente do país onde for comprado por isso, em Portugal, apenas podemos desejar que a assistente pessoal Siri fique um dia disponível.

A utilização deste comando é bastante agradável e a bateria aguenta vários dias quando se tem uma utilização diária a rondar as 3/4 horas. Aliás, gostamos tanto do comando que não podemos deixar de ficar chateados quando sabemos que não é possível ligar 2 Siri Remotes à mesma Apple TV. Juntando isto ao facto da app Remote para iOS ser bastante fraca e ao reduzido número de comandos existentes no mercado, rapidamente percebemos que jogar com duas pessoas em simultâneo não é apelativo com a experiência de jogo a ser diferentes entre os jogadores.

De acordo com as  guidelines da Apple para os programadores, todos os jogos criados para a Apple TV têm que ser compatíveis com o Siri Remote. Por esta razão, torna-se imperativo que a empresa ofereça opções para vários jogadores que tenham a mesma qualidade e experiência.

Streaming Televisivo

Apple TVUm dos rumores associados a esta nova Apple TV era que a empresa poderia revolucionar o conteúdo através da criação de um streaming televisivo onde, resumidamente, o consumidores teria acesso a pacotes de conteúdo através de uma subscrição mensal ou anual. Serviço idêntico existe no mundo da música e onde a Apple também entrou este ano com a sua plataforma Apple Music.

Eu percebo que a ideia possa ser inovadora e interessante mas, muito honestamente, ainda bem que esta novidade não se concretizou (a razão parece ter sido o preço dos bundles de conteúdos)! Este tipo de conteúdos são sempre bastante promissores mas a verdade é que a sua viabilidade fora dos Estados Unidos seria extremamente limitada!

O Apple Watch ainda não chegou oficialmente a Portugal (embora esteja disponível em lojas como o iStuff.pt), a plataforma de pagamentos móveis, Apple Pay foi lançada em 2014 mas só em Julho deste ano é que começou a expandir-se internacionalmente.

Ou seja, cada vez mais os novos produtos da Apple estão limitados a determinadas regiões geográficas durante os seus primeiros anos de existência e, como tal, seria pouco provável que um utilizador em Portugal tirasse proveito, pelo menos imediatamente, de um serviço de streaming televisivo.

As pessoas poderão argumentar que, tal como aconteceu com o Apple Music, um serviço de streaming de televisão da Apple também poderia funcionar inicialmente em todo o mundo. No entanto isso seria improvável por várias razões. Primeiro porque quando a Apple entrou no mundo do streaming de música, o mais complicado já tinha sido feito por empresas como o Spotify que chegaram a acordo com as principais discográficas mundiais. Depois, streaming televisivo implicaria negociações exaustivas com criadores de conteúdo (séries por exemplo) para a sua distribuição no mundo inteiro o que acabaria por “esbanjar” com os acordos previamente estabelecidos com outras entidades que emitem esse mesmo conteúdo actualmente.

Assim, e para concluir este tema, a oferta de um serviço de streaming iria encarecer o preço da Apple TV sem que o utilizador em Portugal tirasse um real proveito desta possível plataforma.

 

Conclusão

A nova Apple TV é um dispositivo que, finalmente, confirma a aposta da Apple no mercado de entretenimento caseiro. Tanto pelo preço da Apple TV (pode ser comprada por cerca de 179 euros) como das apps, a Apple aposta num mercado pouco explorado de entretenimento e que cujo público alvo é, até certo ponto, idêntico ao da antiga Nintendo WII: todas as pessoas, independentemente da idade.

Na minha opinião, a Apple TV tem uma margem de progressão espantosa (sempre dependente da adesão de programas) e algum do conteúdo já existente na App Store oferece várias horas de diversão. No entanto, para garantir o seu sucesso a Apple precisa de melhorar alguns detalhes urgentemente.

A opção de multi-jogadores tem que ser rapidamente revista e isso faz-se através de uma alternativa credível ao Siri Remote. Até isso acontecer a empresa não garante a mesma experiência a dois jogadores em simultâneo e isto é uma falha grave.

Para além disso, está na altura da empresa alargar a sua pesquisa Universal Siri a mais países. É um bocado incoerente que a Apple enalteça tanto uma funcionalidade da Apple TV para depois apenas a disponibilizar em 8 países em todo o mundo.

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