Review: iPhone 7

Review do iPhone 7

 

Uma novidade que não é uma novidade assim tão grande.

Autoria de André Fonseca | Edição de Rogério Moreira

A Apple apresentou no passado mês os seus novos iPhone em dois tamanhos como já vem sido hábito, o iPhone 7 e o iPhone 7 Plus. Depois da conturbada chegada ao mercado nacional, do vídeo de unboxing e das primeiras impressões dadas no nosso podcast é chegada a hora, como prometido, de vos apresentar a tão esperada análise. Por fora os novos iPhone têm o mesmo aspeto visual que os seus antecessores quebrando assim a regra da alteração de design de dois em dois anos. Por dentro, o iPhone 7 é um testamento para o futuro dos telemóveis. As duas câmaras do modelo Plus são o futuro da fotografia móvel. O botão home já não é mais um botão físico. O novo processador A10 Fusion é mais poderoso que alguns Mac. E sim, está confirmado. Não há entrada para os auscultadores!

DESIGN

De 2 em 2 anos a Apple costuma apresentar uma reformulação no design do iPhone, mas este ano, como se sabe nada disso aconteceu. Resumidamente, o iPhone 7 é um 6/6s retocado, uns gramas mais leve, com duas novas opções de cor e sem entrada para os auscultadores. Honestamente, não sou muito a favor deste adiamento quanto ao novo design, mas também concordo que faz mais sentido no próximo ano existir essa mudança (devido ao 10º aniversário).

Acho realmente magníficas as duas novas cores, preto mate e principalmente o preto brilhante, quanto ao restante já se sabe: as mesmas dimensões, a mesma espessura, um deslumbrante design minimalista e a já reconhecida boa qualidade de construção dos modelos anteriores.

BOTÃO HOME

Antes de vos dar a minha opinião relativamente a este botão home, tenho de dizer que gosto bastante do trackpad force touch do meu MacBook de 12″. Agora, neste iPhone a tecnologia foi no meu entender mal implementada. Não gosto de ter apenas a sensação de clique quando o tenho na mão. Pousado numa mesa  e pressionando o botão, por exemplo, praticamente não se sente a vibração. Isso está mal no meu entender, o clique deveria ser sentido no próprio, como no trackpad do MacBook e não nas costas do aparelho como é o caso. Para mim, apesar de muitos talvez discordarem, é um dos pontos negativos desta nova geração.

BATERIA

Por falar em pontos negativos, a bateria é outro deles. Pode parecer pouco coerente da minha parte estar a denominar esta como sendo um ponto negativo quando no ano passado lhe teci um elogio (e como sabem a bateria do 6s e do 7 têm praticamente a mesma capacidade, sendo esta ligeiramente superior).

Pois bem, passo a explicar para que não restem dúvidas. A review do 6s foi feita ainda tinha o meu iPad Mini 4. Na altura, estando eu maior parte do tempo em casa e tendo um iPad como dispositivo principal não fazia sentido (para mim) utilizar tanto o iPhone. Chamadas e mensagens recebi-as na mesma no iPad e todo o restante, aceder às redes sociais, Youtube e Safari poderia perfeitamente fazê-lo no iPad. Só quando saía de casa é que preferia levar o iPhone e utilizá-lo.  Ora se o iPhone é usado, mas moderadamente, a bateria claro está, dura muito mais.

Entretanto, o panorama mudou, o iPad foi-se e neste momento estou insatisfeito por ter uma bateria com uma autonomia entre as 6 e as 8h . É muito aborrecido querer utilizar o aparelho para tudo e mais alguma coisa e chegar ao meio do dia e ser obrigado a carregá-lo. Isto, com um uso completamente normal, uma ou outra chamada, uma ou outra mensagem e utilização de aplicações como Youtube, Podcasts, Spotify, Facebook, Twitter, Instagram e por aí em diante.

ECRÃ

O iPhone 7  mantém o ecrã Retina HD baseado na tecnologia LCD IPS com 4,7″ e uma resolução de 1334 x 750 pixels com uma densidade de 326 ppi. Como todos os ecrã retina continua a apresentar uma óptima qualidade e um surpreendente contraste de cores. Segundo a Apple, neste parâmetro até houve uma melhoria (cor e brilho) e realmente, nota-se, ligeiramente, esta melhoria principalmente nos negros.

Queria ainda frisar que gostaria que este ano a Apple tivesse tanto aumentado a sua resolução dos 720p para os 1080p e também que tivesse sido colocado um ecrã OLED ao invés de um IPS. Não que ele seja mau, longe disso, mas OLED é a tecnologia com melhor diferença qualidade/bateria.

CÂMARAS

Começo já por dizer, tanto a iSight como a FaceTime são fantásticas! Quanto à iSight, esta mantém o sensor com 12MP mas ligeiramente melhorado no que respeita à captação de cores e com uma maior abertura, agora de  ƒ/1.8.

Destaco claro as fotografias captadas em ambientes escuros. Neste tipo de ambiente estas ficam muito melhor relativamente aos modelos anteriores (isto devido ao aumento da abertura) com mais luminosidade e detalhe. Mas atenção, comparativamente a um dos seus concorrentes o Galaxy s7, neste tipo de fotos, ainda há um longo caminho pela frente. Quanto ao restante, as fotografias são fantásticas!

Imagem capturada com o iPhone 7.
Imagem capturada pelo iPhone 7.

Em vídeos, uma das novidades da câmara do modelo de 4,7″ é o estabilizador ótico de imagem que faz um trabalho estupendo!  Sim, vão reparar nos primeiros momentos do vídeo que a imagem ficou um bocado tremida, mas mesmo assim o estabilizador fez um óptimo trabalho uma vez que conseguiu estabilizar a imagem que estava a ser filmada a partir do carro. Nos restantes, ficou extremamente suave. Quanto à FaceTime, foi atualizada com um novo sensor, que agora é de 7, em vez dos 5MP. As selfies, claro, devido a este upgrade nunca foram tão detalhadas e apelativas.

SOM

É mesmo brutal a diferença do som do 6/6s para este 7. Dá realmente gosto colocar uma música, ver um vídeo ou ouvir um podcast neste iPhone. Já para não falar que se acabaram os célebres problemas de tapar o altifalante com a mão. O som estéreo dos novos iPhone faz mesmo a diferença e, para mim, esta foi uma das novidades que mais me agradou.

Até que enfim que temos som de qualidade!

PERFORMANCE

O novo iPhone vem equipado com o novo processador quad-core desenhado pela própria Apple, o A10 Fusion. O modelo de 4.7 polegadas vem ainda com 2GB de RAM e o modelo Plus com 3GB de RAM.

Os resultados do GeekBench falam por si. Comparativamente ao modelo anterior (e como seria de esperar) apresenta resultados muito superiores e até por mera curiosidade, comparando com o 6 a diferença de resultados é o dobro.

Mesmo sem ter acesso a estes números não é difícil perceber que o iPhone 7 é uma verdadeira máquina. Completamente fluído, (como costume) não terá problema absolutamente algum a realizar qualquer tarefa, seja ela fazer uma chamada ou até mesmo renderizar um vídeo complexo. De realçar ainda que o novo processador A10 Fusion é quad-core contudo, apenas dois cores trabalham simultaneamente. Para tarefas mais pesadas funcionam os dois cores com melhor desempenho mas que gastam mais bateria e para tarefas mais simples os dois cores em que o desempenho não é tão bom mas que têm uma boa eficiência energética. A Apple consegue assim desenhar um processador quase ideal para aparelhos móveis e que tira o melhor partido de dois mundos.

O JACK E O IP67

Os novos iPhone são resistentes a água e a poeiras. Como já foi referido no Podcast do iClub 12, não testei, nem vou testar esta certificação pelo menos no que respeita à resistência à água. Mas claro, caso haja algum acidente é bom saber que ele sobreviverá.

Quanto à retirada da entrada dos auscultadores (jack) ou melhor, o seu fim: “Coragem”, a Apple diz que foi preciso ter coragem para retirar o jack de 3.5mm. O mundo caminha para um futuro sem fios e alguém tem de dar o primeiro passo. Foi assim com as drives de CD, com as disquetes e por aí em diante. Sim, a Lenovo fê-lo primeiro com o Moto Z mas provavelmente se não tivessem surgido os rumores do iPhone 7 sem esta entrada será que o teria feito? Será que se a Apple não fosse para avançar as outras empresas teriam essa ousadia?

Bem, voltando à Apple, mais concretamente a este iPhone 7. Eles apresentaram soluções com e sem fio como alternativa aos 3.5mm . Com fio, temos duas opções: um adaptador Lightning-Jack que possibilita o uso de auscultadores com esta entrada e ainda os tradicionais EarPods que agora incluem uma entrada Lightning. Tanto o adaptador como os EarPods vêm incluídos na caixa do aparelho.

Um aspecto incomodativo relativo a esta retirada do jack e vai de encontro à opção wireless é a questão de que não podemos ouvir musica ao mesmo tempo que carregamos o nosso iPhone. É um aborrecimento, é verdade já me aconteceu várias vezes mas não posso apontar o dedo porque a Apple parte do pressuposto que vais preferir utilizar a sua opção sem fio, os AirPods.

SOFTWARE

Instalado neste novo iPhone vem o fantástico  iOS10, mais precisamente a versão 10.0.2, a  versão atual do sistema operativo móvel da Apple. Este revela-se extremamente rápido e, principalmente (que é o queremos) seguro, para uma utilização regular e sem grandes preocupações.

CONCLUSÃO

O iPhone 7 é um misto. Tem coisas boas e menos boas. Para mim, a balança está equilibrada, os pontos negativos (bateria e principalmente o preço demasiado alto em Portugal) são compensados pelos positivos (câmaras, resistência à água, som estéreo e performance).

Para concluir, se me perguntarem: “Vale a pena a atualização se tiver um 6s?” Não acho, mais vale esperar o próximo ano pelas grandes novidades que se anunciam. Caso tenham um 6, ou inferior, será com certeza uma óptima atualização devido a algumas das novidades acima citadas.

Design - 8
Bateria - 7.5
Ecrã - 8
Performance - 10
Câmaras - 9
Software - 9.5
Summary
8.7

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