Relatório da Apple revela forte colaboração com agências governamentais

Segundo a informação divulgada pela Apple na sua página, o interesse das forças de autoridade do Governo dos Estados Unidos pelos produtos da marca não se ficou apenas pelo mediático caso de San Bernardino.

Os números revelados pela própria Apple demonstram um número abismal de pedidos das agências governamentais norte-americanas e Internacionais para aceder ao conteúdo de dispositivos móveis, que habitualmente estão vinculados a processos de investigação criminal.

Entre Julho e Dezembro de 2015, ou seja em apenas 6 meses, foram feitos à Apple cerca de 5200 pedidos para desbloquear diferentes contas associadas a produtos da empresa. De acordo com o relatório divulgado pela Apple, os pedidos de acesso aos dispositivos não são novidade para a empresa mas estes pedidos tomaram proporções épicas quando a Apple negou o acesso do FBI ao iPhone 5C de Syed Farook.

Isto porque, ao contrário do outros casos, o FBI quis aceder directamente a um dispositivo móvel e não apenas a dados armazenados online. A Apple sempre afirmou que não tem nenhum método disponível que permita desbloquear directamente dispositivos, desde que estes estejam protegidos com código de segurança.

Mas o que pretendem as forças de segurança ao tentar aceder a estes dispositivos?

O mais comum é aceder às informações guardadas nas contas relativas ao iTunes e até ao iCloud. Se é um utilizador de produtos Apple sabe perfeitamente que todos os nossos dados pessoais estão guardados no iTunes, pois para fazer compras, mesmo que algo seja gratuito os nossos dados estão lá associados ao iTunes que posteriormente cruza a informação com a App Store para nos permitir o download de apps, livros, músicas ou até podcasts. Mas as nossas informações mais relevantes encontram-se guardadas no iCloud.

A plataforma iCloud armazena os nossos backups, ou seja as nossas cópias de segurança, as quais possuem todo o conteúdo presente nos diferentes dispositivos móveis. Tudo isso está lá guardado e protegido por uma forte encriptação que apenas o utilizador e a Apple tem acesso. São essas cópias de segurança que as forças de segurança pretendem aceder para os ajudar nos processos de investigação criminal.

Vamos resumir os números que se encontram na listagem da Apple: dos 5192 pedidos feitos pela lei a Apple entregou dados de 4411 utilizadores. Mas ao mesmo tempo restringiu o acesso a alguns pedidos, em 322 dos casos não foi dados acesso total à informação guardada nos servidores da Apple e recusou completamente o acesso a 509 contas de utilizadores.

Existem ainda casos de iPhones perdidos ou roubados, no total cerca de 16.112 e a Apple respondeu a 80% desses pedidos.

Relembro que apesar de toda a segurança que a Apple possui em todos os seus dispositivos, o FBI conseguiu aceder ao iPhone do caso de San Bernardino, sem a colaboração da empresa mas a técnica utilizada para aceder ao iPhone 5C do atirador não é possível ser utilizada em dispositivos mais recentes.

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