Reflexões pessoais sobre Sistemas Operativos móveis.

sistemas operativos móveis

1. Eu uso um windows phone 7.5!

Pronto… já disse.

Tinha esta verdade atravessada na garganta, e estava a ser difícil conviver com esse facto aqui neste “forum”.

Eu fui dos que acompanhei o lançamento do iPhone ao vivo e a cores via uma netcast qualquer em 2007.

Trabalhando no ramo, e rodeado de “smartphones”, foi com emoção que vi o Steve Jobs a trucidar a concorrência minuto após minuto, não nas capacidades daquele modelo original quer era bastante limitado, mas na forma como se usava o sistema para as coisas básicas.
Era na realidade um novo “paradigma de utilização” (tinha que usar esta combinação algures para tornar este texto relevante), em que a demonstração de um simples pinch to zoom, ou um tilt do ecrã sacava uma lágrima brilhante de alegria de qualquer utilizador.
Fabricantes de telemóveis por todo o mundo pensavam… Porque raio não pensei nisto antes!!!!

2. A dura realidade…

… É que eles pensar até provavelmente pensaram, mas havia três coisas que o iphone trazia para a mesa que, por razões económicas e mesmo culturais não eram habituais na altura:
– Multitoque no ecrã (até então usavam-se ecrãs resistivos que lidavam mal com mais do que um ponto de input)
– O footprint do Sistema operativo reduzido devido ao preço da memória. Até então todos os fabricantes tentavam optimizar o sistema operativo  forma a caber em 64Mb (windows Mobile 6) ou ainda menos (Symbian). Eram verdadeiras proezas tecnológicas, mas castravam o sistema operativo em termos de “Bling” e usabilidade.
– A ideia de que um smartphone deve ser para todos, e não ser aquele equipamento para geeks que se vê nas mãos de it developers ou de iupies habituados aos PDAs… Mesmo que seja só para fazer chamadas.

A Apple, com base nos contratos milionários de fabricação dos ipods conseguiu baixar brutalmente o preço dos ecrãs e da memória, conseguindo colocar 8Gb num telemóvel de uma forma economicamente racional, e podendo assim ceder 500 MB exclusivamente ao sistema operativo, o que permitiu a incorporação de todos os elementos visuais que vieram revolucionar a história dos smartphones.

3. Actualmente

Mas isto foi há muito tempo. Hoje em dia, tudo isto é um dado adquirido, todos os competidores eliminaram estas restrições, e passaram a usar sistemas operativos mais “obesos” e optimizados para a utilização e não para o hardware disponível… a diferenciação deixou de ser entre sistemas operativos e passou a ser de todo o ecossistema que o envolve.

Isso produz em mim dois efeitos.
1- Nunca tive vontade de ter um! (apesar de ter um ipod touch para experimentar apps relevantes)
2- Gosto de experimentar coisas novas e diferentes o que me colocou em contacto com Androids, maemos, meegos, palm pres , windows phone 7 devices, iphones, e BB entre outros.

Alegrem-se… todos são excelentes, mas nenhum deles é perfeito, todos têm as suas vantagens e desvantagens:

  • O Blackberry tem o BBM, e a excelente capacidade de compressão de dados (na altura em que era relevante)
  • O palm PRE era dotado do melhor software para multitasking, mas contava com um hardware péssimo.
  • O MeeGo foi lançado logo com a corda ao pescoço, ninguém acreditou nele.
  • O iPhone tem a sua força na comunidade Apple, que no início, sendo menor mas mais fervorosa, contava nas suas linhas com uma enorme base de designers e isto reflectiu-se diretamente na qualidade das apps.
    Fazer uma app para este sistema tornou-se uma competição de design e usabilidade, e não apenas uma demonstração técnica das capacidades de programação. Adicionalmente, um caminho claro fruto de uma única proposta de hardware, tornou fácil aos designers e developers pensar numa app e assegurar o seu sucesso em 100% dos equipamentos disponíveis. (ainda hoje quando se desenvolve em multiplataforma a maioria das software houses desenvolvem primeiro para iOS devido ao time to market conseguido)
  • O Android cresceu depressa e mal. Pejado de problemas inerentes à existência de múltiplos fabricantes e form factors, e da liberdade total para o desenvolvimento de skins péssimas, a sua natureza aproximada ao meio techie/programação, tudo contribuiu para fazer deste sistema operativo grandioso, uma grandiosa confusão.
    Tal como Linux que lhe procedeu serve de base,  o android tornou-se num grande conjunto de excelentes fragmentos de software, mas que não faziam uma colcha bonita.
    Só mesmo a contratação do criador do WebOS (Mathias Duarte), permitiu criar uma norma gráfica de aspecto visual, uma guideline de design transversal, aplicável a todas as aplicações.
    No entanto, isto não invalida os fabricantes de lançar telemóveis com skins péssimas, bem abaixo da experiência desenhada pela Google… ou novos equipamentos com versões antiquadas deste sistema operativo (vide Samsung galaxy Ace 2)… são as “armadilhas da liberdade”!
  • O Windows Phone resultou de um reboot completo da MS tanto nas condicionantes técnicas do sistema, como no seu aspecto visual. Chegou tarde, castrado, face ao que o windows 6 possibilitava, e perdeu muito tempo para os concorrentes, mas foi o único sistema operativo que cortou com a gaveta de icones, e ofereceu aos developers guias visuais claras, templates de estilo e de forma para a criação de apps. Qualquer programador consegue criar uma app 100% de acordo com as guidelines da MS.(contribui grandemente para a uniformização das apps, mas corta com o brilhantismo conseguido num iOS, por exemplo).

4. Escolhas pessoais

Porque escolhi o windows phone 7.5 (e lembrem-se é uma escolha meramente pessoal)?

Todo o sistema assenta primariamente em texto, com  rapidez e fluidez, mas sobretudo, e o que me cativou, é que todo o sistema operativo oferece uma integração impar, mas integração de forma inteligente… deixem dar uns exemplos.

O People Hub concentra todas as informações dos meus contactos, é a minha agenda de contactos on steroids, tendo sido o primeiro a conjugar com 99% de acerto os meus contactos duplicados espalhados pelas redes sociais.

Screenshot da minha conta pessoal
That’s me!

Mas este Hub vai mais longe, e permite-me ver todas as atualizações de todos os meus contatos (ou um em específico) em todas as redes sociais em que estou inscrito, bem como um report das interações recentes que tive com estes (telefonemas, mensagens, chat ou um e-mail que enviei na semana passda em qualquer das minhas contas de e-mail). Finalmente este Hub é “aberto” e permite que qualquer aplicação use esta integração, ou seja, pode-se instalar um facebook, ou um cliente de twitter ou um skype e nunca o abrir pois é totalmente desencessário.

Lista de updates de toda a gente que conheço num sítio só
Atualizações das redes sociais num sítio só

Mas Este Hub não é o único. Há um para contactos, um para música e vídeo, um para fotografias, um para os documentos de office e skydrive, um para jogos que se interliga com a nossa conta da xbox, em que qualquer jogo pode oferecer recompensas em Gold’s que podem ser usados noutros jogos ou na compra de acessórios para o nosso avatar (compenente preferido da minha filha!!!)

Screenshot do xbox live
Minha conta Xbox live

Há uma app única para e-mail, o que faz com que todas as minhas contas de e-mail se comportem da mesma forma, tal como uma app única para messaging, que permite fazer um chat no facebook, msn ou SMS exatamente da mesma forma.

Tudo isto no sistema operativo… out of the box e foi isto que me comprou no windows phone 7. Eu não devo ter que andar à pesca das melhores aplicações para fazer o básico. O básico é o território do sistema operativo!

Gosto muito das magníficas apps de iOS, gosto muito da liberdade de escolha das apps em Android, mas o que gosto mesmo é de não ter que instalar app nenhuma para aceder às funções que uso diariamente, e de não ter que andar a saltar de app em app sempre que quero fazer algo mais “complicado”… Isto para mim é um bom sistema operativo!

Fruto do meu trabalho, tenho a obrigação de usar mil e uma plataformas diariamente, mas ao fim do dia, volto sempre para o meu velhinho Samsung Omnia 7.

5. Futuro?

Este ano vai ser em grande. Vamos ter o regresso da BlackBerry (keep your eyes open, está mesmo muito bom) e vamos ter o primeiro iOS da era Jonathan Ive, agora que o Scott Forrestal foi demitido (com justa causa quanto a mim). Vamos ter um novo Android brevemente, e um windows blue, que permitirá finalmente um desenvolvimento único para desktop, tablet e phone, o que impulsionará este ecossistema e mercado de apps.

Quanto a mim, já brinquei com um windows phone 8 e é uma excelente aposta na continuidade, tem inovação qb mas creio que falta o momentum de um ecossistema à altura (acessórios e afins)… mas o último que me surpreendeu foi o BB10… especialmente porque é um evocação patente ao meu querido WebOS…
…No entanto, Jonathan Ive… O mundo está a olhar para ti, convence-me a fazer o switch! 😉

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