Perito em segurança da Apple fala em tribunal e engenheiros da empresa podem-se demitir

O confronto judicial entre a Apple e o FBI continua ser um dos assuntos que está a marcar a actualidade no mundo tecnológico, merecendo até uma análise do  influente comediante John Oliver.

Esta semana ficámos a saber a posição extremista que os próprios engenheiros da Apple estão a equacionar, caso a justiça norte-americana dê razão à agência governamental. De acordo com o reputado The New York Times, os engenheiros da Apple poderão ser a próxima barreira do FBI para a criação de um novo sistema operativo (apelidado de GovtOS) que possa ser usado para aceder a dispositivos móveis.

Parece que alguns engenheiros estão mesmo dispostos a largarem os seus empregos bem pagos só para não destruírem algo que demoraram tantos anos a melhorar. Esta notícia reforça também a posição da Apple que considera que não pode obrigar os seus empregados a criarem algo que vai contra os seus princípios.

Numa fase em que o processo começa a arrancar em tribunal, o FBI pediu para realizar uma audiência de evidências o que significa que será possível ouvir testemunhas de ambos dos lados das trincheiras. Entre essas testemunhas está Eric Neuenschwander, o responsável máximo da Apple para a segurança e privacidade de produtos, que na passada terça-feira entregou uma declaração ao tribunal (via The Verge).

Na declaração, Neuenshwander diz que o pedido do governo poderá colocar o sistema Trusted Platform Module que é vastamente usado na industria tecnológicas incluindo empresas como a Microsoft e Tesla. Adicionalmente este executivo da Apple diz que a obrigação de criar este GovtOS poderá ter um impacto directo na vida pessoal dos engenheiros da empresa. Isto porque poderão ser vitimas de retaliação, coerção ou outro tipo de ameaças para tentar que outras pessoas também tenham acesso a este sistema operativo especial.

A guerra entre privacidade e segurança voltou agora a estar no centro das atenções, alguns anos depois da polémica que envolveu John Snowden e a agência NSA.

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