iTunes match… vale a pena?

Imagem da Apple relativa ao match

Há muito pouco tempo a Apple abriu a possibilidade de os portugueses (vulgo contas da iTunes Store sediadas em Portugal) aderirem ao iTunes Match. Por 24,99 euros por ano, é dada ao utilizador a possibilidade de colocar na nuvem todas a músicas existentes na sua discobiblioteca do iTunes.

Mas será que vale a pena?

1. O problema…

Quando temos muitos equipamentos com iTunes e muita música disponível, torna-se chato andar a fazer backups de um computador para o outro, para ter tudo sincronizado, ou tê-los disponíveis de uma só vez em todos os dispositivos iOS (por questão de espaço disponível).

Uma das soluções mais usadas é a instalação em casa de um central point of storage, uma unidade de disco em rede (acessível via Wi-Fi para os equipamentos móveis), onde se alojam todos os conteúdos musicais, e configurar a localização das músicas em cada iTunes “cliente” a apontar para esta pasta de rede.

Mas e o que acontece quando um dos computadores é portátil, e se leva o dito para o emprego? Ou então, o que acontece a um dispositivo iOS (iPhone, iPad) quando saímos da rede Wi-Fi, deixando por isso de ter Airplay disponível? A música simplesmente deixa de estar disponível.

2. A Solução

E assim surgiu a “nuvem”. A ideia base era criar um alojamento centralizado longe de casa, mas que estivesse constantemente disponível para todos os computadores/terminais com ligação a rede. No fundo, em vez de se instalar um disco centralizado em casa, a Apple oferece um espaço nos seus servidores onde podemos alojar todas as músicas que temos.

3. Mas quais as vantagens disto?

  • A música passa a estar sempre disponível, em qualquer lugar via 3G/4G móvel, ou acesso a Internet fixo (e.g. ADSL, fibra).
  • Passamos a ter realmente uma base de dados musical única, centralizada e organizada uma vez.
  • Sempre que compramos música nova, ou adicionamos num dos computadores autorizados, esta fica disponível para todos os computadores!
  • Quando vamos a casa de amigos podemos invocar a nossa conta e tocar as nossas músicas 🙂 (atenção: não esquecer de desligar a conta no fim da visita)

4. Isto é o iTunes Match?

O iTunes Match levou esta ideia um pouco mais além… e evitou as complicações habituais dos serviços na nuvem, do ponto de vista do utilizador, e mesmo da tecnologia de hosting.

É que o problema principal das nuvens prende-se com o upload de grandes quantidades de dados, que além de ser muito demorado poderia ser um grande consumidor de dados, não só na transferência como até mesmo no espaço de alojamento.

A Apple resolveu isto da melhor maneira: se a música já está disponível na iTunes Store, porquê exigir ao utilizador que faça o upload das mesmas, ocupando espaço em disco na nuvem, multiplicando-se inadvertidamente os ficheiros em várias contas (parecendo que não, há muita gente que ouve as mesmas músicas que nós), e demorando o seu tempo no upload?

Nasceu assim o ” iTunes match”:

O iTunes verifica em toda a base de dados local quais músicas que estão corretamente catalogadas e de acordo com o que existe na store (faz o match!), e estas músicas passam a estar imediatamente disponíveis na conta pessoal, em todos os equipamentos (máximo de 10) com um formato único AAC de 250 Kbps (formato em que estão disponíveis na store para compra). As restantes músicas que ele não consegue identificar são efetivamente carregadas para a iCloud da mesma conta pessoal. Isto tudo tendo como limite total as 25 mil músicas, que não contam para o espaço de dados do iCloud.

Por 24,99 euros anuais ficam assim disponíveis todas as nossas músicas (mesmo as conseguidas de forma menos lícita ou que tenham sido ripadas em menor qualidade, e que tenham sido devidamente identificadas), na núvem, e para todos os equipamentos com iOS/Mac OS X e claro, Windows (via iTunes).

Segundo passo da importação do conteúdo disponível localmenteMúsicas disponíveis na nuvem

Melhor que isto, só mesmo o facto de estas músicas poderem ser descarregadas diretamente para o disco rígido, obtendo-se assim versões comerciais sem DRM, com uma qualidade uniforme… isto, por exemplo, no caso de se pretender abandonar o serviço, ou simplesmente guardar um backup local.

Mas atenção! Este novo serviço tem um custo muito alto… ou melhor, outros custos escondidos que podem ser bastante elevados.

5. Outros custos e inconvenientes

  • O mais evidente são os potenciais custos de 3G. Um equipamento portátil mal configurado, pode levar rapidamente ao esgotar do plafond de dados contratado. Toda a gente sabe que os dispositivos iOS são “argulões”, mas como com todas as apps de streaming*, é preciso especial atenção e neste caso e ter o Wi-Fi devidamente configurado… ou mesmo o 3G barrado.
    * Nos equipamentos móveis não é bem streaming, pois cada música é descarregada para o equipamento por antecipação para evitar os cortes prováveis do streaming, ocupando um espaço na memória do telefone, até que este seja necessário.
  • Como todas as soluções em que os conteúdos estão distantes, por vezes o lag estraga a experiência musical. A distância de tempo entre o click e o play por vezes torna-se incomodativa, especialmente em 3G…
  • Esta filosofia cliente/servidor pode, no caso de conetividades medíocres, levar a uma maior instabilidade da app ou delays arruinando a experiência habitual fluida dos dispositivos iOS.

Para estes pouco há a fazer – são universais de todas as soluções cloud based, e como tal basta apenas assumir à partida os problemas de soluções na nuvem…

No entanto, existem alguns inconvenientes específicos da solução da Apple:

  • Por vezes há situações mixed na identificação dos conteúdos: nem todo o disco é reconhecido, ficando metade disponível na loja iTunes e a outra metade disponível como upload de conteúdo para o iCloud no formato em que ele existe localmente. Assim, quando fazemos o download dos conteúdos da nuvem, ficamos com discos com dois formatos diferentes (AAC e MP3 ou outro).
  • Quando se faz o upload da música, assume-se que não se pretende ter os conteúdos localmente. O problema é que outros produtos de software (p. ex. PLEX) não são compatíveis com o Match… logo precisam de ter os conteúdos armazenados localmente. Ora isto obriga à manutenção de duas bases de dados de conteúdos, que mais tarde ou mais cedo se dessincronizam… logo deita por terra as vantagens primordiais do serviço. Pior: fazendo o download das músicas da Store obtemos ficheiros no formato .m4a incompatível com alguns leitores portáteis (funciona com o Zune e o Windows Phone 7.5, e com Android, mas leitores MP3 mais antigos poderão dar problemas).
  • As músicas gravadas localmente com qualidade superior (audiofilia) e reconhecidas pela iTunes Store ficam disponíveis na mesma como AAC de 256Kbps, perdendo por isso qualidade.
  • Apenas equipamentos com iOS 5.0 e superior poderão ter acesso a esta funcionalidade.

Não é uma solução perfeita, e como tal trata-se então de pesar os prós e os contras, mas isto já todos nós sabemos!

Existe um cenário ótimo para utilização do serviço: quando temos conteúdos em vários computadores que queremos centralizar/legalizar ;), sem grandes preocupações de qualidade de audio (não sendo audiófilo), e finalmente aceitar pacificamente um ambiente completamente fechado da Apple.

E ainda assim…o melhor será ter sempre uma cópia dos seus ficheiros à mão… só por “se acaso”.

6. Conclusão

O serviço é um bom serviço, simples de configurar e ativar, e quanto a mim com um custo bastante em conta. Fica a faltar apenas uma funcionalidade de descoberta de música associada… assim tipo “genius” mas que funcione 😛 e que permita ouvir mais do que 30 segundos das músicas propostas.

Mais uma vez, quem adere a um destes serviços tem que ter atenção às decisões de organização que toma. Não façam como eu, que apaguei todos os meus conteúdos locais do servidor, fazendo fé que estava tudo bem… e no fim, ficaram alguns “buracos” nos meus discos, que agora não tenho como recuperar… Apenas pegando de novo nos meus discos todos e ripando apenas os erros, música a música.

Olha… vai-me servir para revisitar antigos clássicos :).

Fica uma dica no ar… se ativarem o serviço, ativem também a coluna “estado de iCloud” no iTunes. Só os icones que aparecem não são autoexplicativos… e esta coluna ajuda com um pequeno descritivo.

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