iPhoneography é “batota”?

Começo com uma citação: “Tudo o que torna mais fácil para as pessoas criarem Arte é positivo.” (Koci Hernandez).

Há muitos críticos que acusam a iPhoneography de ser uma espécie de batota na fotografia, pois basta a utilização de um aparelho para captar, processar e partilhar a imagem e este processo é tão simplificado que qualquer um é capaz de o fazer sem dificuldade.

Acho que, como em todos os momentos de mudança, é natural que surjam as críticas e que haja sempre alguns “Velhos do Restelo” resistentes à mudança mas não subscrevo de todo esta teoria que considera que, pelo processo ser altamente simplificado, não há mérito no resultado obtido e o torna batota.

DanielFF

Há uns dias estava a ver no YouTube uma reportagem da CNN com o fotógrafo Koci Hernandez, que é um dos principais responsáveis pela dinamização da iPhoneography a nível mundial. A respeito deste assunto ele perguntava “É batota apanhar um avião para ir até Los Angeles? Seria mais autêntico fazer a viagem de carroça?”; há coisas que já nem nos questionamos, é óbvio que são assim…

Só porque agora há formas mais simples de fotografar, não quer dizer que a criatividade do fotógrafo seja menos relevante. Aliás, na minha opinião é cada vez mais importante para se conseguir destacar num autêntico oceano de fotografias (nessa reportagem estimavam que tinham sido tiradas 380 mil milhões de fotografias em 2011 contra 86 mil milhões em 2000).

Este mesmo debate existiu quando apareceram as primeiras câmaras digitais, mas hoje em dia a esmagadora maioria dos fotógrafos profissionais converteu-se ao digital pois realmente é muito mais conveniente e, por isso, deixou de ser questionado se fotografia digital é fotografia “a sério”.

“If you put lipstick on a pig, it’s still a pig…” (acho que é o Koci Hernandez que costuma utilizar esta expressão) por isso, o que é fundamental para conseguir uma excelente foto continua a ser o princípio da sua composição e a exploração da luz, pois afinal fotografia quer dizer “escrita com luz”.

Vão-me ouvir dizer muitas vezes isto: fotografem. Fotografem muito, pois é a melhor forma de melhorar e não interessa a câmara que utilizam porque o importante é treinar o olhar e, como dizia Chase Jarvis, “a melhor câmara é aquela que tens contigo”.

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