iCarro: porque é que a Apple quer construir automóveis?

Há um ano, o director de aquisições da Apple, Adrian Perica, encontrou-se com o CEO da Tesla Motors, Elon Musk. A reunião era para ser secreta, mas alguém deu com a língua nos dentes e correram rumores de que a Apple estava a tentar comprar a construtura de carros eléctricos.

Os analistas produziram baba em grandes quantidades, entusiasmados com a possibilidade de a próxima grande “iCoisa” ser nada menos que um carro. Umas semanas depois, a Apple apresentou o sistema operativo para carros CarPlay, e passou os meses seguintes numa guerra de empregados com a Tesla. A empresa de Elon Musk já surripiou 150 empregados da Apple desde o ano passado. A Apple tem tentado fazer o mesmo, oferecendo bónus de 250 mil dólares por início de contrato ou aumentos salariais de 60%, mas o sucesso não foi grande, segundo a Bloomberg.

Essa guerra vai agora passar para o mercado, porque a Apple prepara-se mesmo para entrar no segmento dos carros eléctricos e competir directamente com a Tesla. Mas porquê? Que interesse pode ter uma tecnológica numa indústria tão estabelecida, em que os carros eléctricos estão longe de ser um grande sucesso?

Por isso mesmo, diria eu. Porque a Apple de Tim Cook é ambiciosa para lá do imaginável, porque este sector não tem o sucesso que se esperava quando surgiram os primeiros carros eléctricos (quantas estações de carregamento em Portugal estão às moscas de manhã até à noite?), e porque o mercado saltará com entusiasmo para cima de qualquer iCarro que a Apple apresente.

É verdade que o lóbi do petróleo vai achar tanta piada a um iCar como achou a todos os modelos eléctricos anteriores. Mas isto é a Apple, e o objectivo é grandioso: revolucionar a indústria automóvel como revolucionou a da música e a dos smartphones, sem ter de inventar realmente nada.

Segundo o Wall Street Journal, a Apple tem “centenas” de empregados a trabalhar no projecto “Titan” (nome de código), que será provavelmente uma minivan. O chefe da equipa é o vice-presidente de design Steve Zadesky, um ex-engenheiro da Ford. E entre as centenas de colaboradores está Johann Jungwirth, ex-presidente da unidade de pesquisa da Mercedes-Benz nos Estados Unidos, contratado em Setembro do ano passado. Está também o designer industrial Marc Newson, que é amigo pessoal do chefe de design da Apple, Jony Ive, e já tinha desenhado um carro de conceito para a Ford.

Agora, vejamos os números: nos Estados Unidos, venderam-se pouco mais de 6 mil carros eléctricos em Janeiro deste ano. As previsões que o presidente Barack Obama fez há quatro anos, de que em 2015 haveria um milhão de carros eléctricos nas estradas, foram completamente ao lado. Há qualquer coisa como 286 mil carros eléctricos a circular na América, apesar de um investimento brutal do executivo no sector. Na Europa, os registos de veículos eléctricos subiram 60% em 2014, mas totalizaram apenas 65,199 unidades. Em todo o mundo, há menos de meio milhão de carros eléctricos nas estradas.

É neste contexto que a Apple se atira para cima da concorrência, que vai da Tesla (número um nos EUA) à Nissan (número um mundial), BMW, Ford ou Toyota. Os mais entusiastas poderão pensar que a Apple está a investir num desses carros modernaços que se conduzem a si próprios, algo em que a Google tem milhões investidos. Creio que é pouco provável, embora seja um caminho pelo qual eventualmente todas as construtoras vão passar no futuro.

[tw-button size=”medium” background=”” color=”” target=”_self” link=”http://www.dinheirovivo.pt/opiniao_blogs/interior.aspx?content_id=4406511&page=-1″]Ler o artigo completo no Dinheiro Vivo[/tw-button]

0 comentários