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Griffin Helo TC (Assault)

Pedro Aniceto
  • Em 19 de Julho de 2012
  • http://twitter.com/pedroaniceto

Corria o ano de 1975. Sim, j√° foi h√° muito tempo e quase toda a Lisboa “da brasa” se virava para as novidades n√£o pol√≠ticas. Uma delas, not√≠cia de respeito, dava conta da inaugura√ß√£o na (ent√£o) periferia de Lisboa do primeiro verdadeiramente grande Centro Comercial da cidade.

Se hoje √© uma novidade quase corriqueira, na altura est√°vamos a falar da urbaniza√ß√£o mais chic de Lisboa e do seu “Shopping”. Se o leitor ainda n√£o adivinhou qual, n√£o precisa esfor√ßar-se muito, at√© porque a maioria das pessoas que eventualmente estejam a ler estas linhas nem pensavam ainda em ter nascido quando o Centro Comercial da Portela viu as suas portas abertas ao p√ļblico pela primeira vez.

Esse dia, que para mim foi marcante de uma forma deveras profunda, permitiu-me observar, sentado no frio dos azulejos do reluzente Centro, uma demonstração de um helicóptero telecomandado, uma máquina de boa envergadura, feito por um lojista especialista em material de rádio-comando, loja que não faço a mais leve ideia se ainda existe, mas poucas coisas me espantam nos tempos que correm.

Eu j√° era um pedacinho apanhado por helic√≥pteros, desconhe√ßo a raz√£o, talvez por ter visto alguns meses antes uma outra demonstra√ß√£o de um Allouette no relvado do Est√°dio do Jamor e essa tarde na Portela foi marcante a v√°rios t√≠tulos. Porque o referido modelo de helic√≥ptero estava marcado a cem mil escudos, n√ļmero que na altura era t√£o incomensur√°vel como hoje o √© o d√©ficit p√ļblico portugu√™s e mais marcante ainda porque sa√≠ dali com a firme certeza de que eu era capaz de replicar um helic√≥ptero pelos meus pr√≥prios meios. Por replicar, entenda-se, construir. Mesmo de tenra idade nunca fui de me render a desafios imposs√≠veis e poucos dias depois, a “carenage” de um banco de cozinha, um motor de batedeira e duas imensamente longas r√©guas de estore, haveriam de me levar do sonho da gl√≥ria aeron√°utica √† humilha√ß√£o. Poupo ao leitor os detalhes da constru√ß√£o, a caranguejola levantou voo sim, o dif√≠cil foi evitar o desastre do percurso a√©reo e o respectivo cortejo de destro√ßos que incluiu o topo superior de um arm√°rio de lou√ßas, uma mesa de sala para sempre gravada pelos impactos, para n√£o falar do meu traseiro que sobreaqueceu √†s m√£os de minha m√£e ou do meu amor pr√≥prio aeron√°utico. Julguei nesse dia ter encerrado as minhas ambi√ß√Ķes avi√≥nicas, mas eis que trinta e sete anos depois, vejo este an√ļncio…

Chama antiga custa a morrer, dizem, e se n√£o o dizem, deviam, porque o Distribuidor portugu√™s dos produtos Griffin, a Servisoft, ligou os motores, melhor diria, os rotores e aterrou na minha caixa de correio um exemplar do Griffin Helo TC (Vers√£o Assault). A vers√£o Assault diverge em dois aspectos da vers√£o do helic√≥ptero normal: Esta vers√£o √© equipada com dois m√≠sseis dispar√°veis e devido a este aspecto a fuselagem √© mais completa, cobrindo a estrutura de forma quase integral ao contrario do que sucede na vers√£o base, mais “naked”. N√£o que isso traga √† experi√™ncia final nenhuma diferen√ßa em particular, na vers√£o normal as portas de carga e switches est√£o numa das laterais, enquanto na vers√£o Assault estes pontos est√£o situados na barriga da aeronave (√© menos pr√°tico carregar a respectiva bateria interna na vers√£o Assault). O outro aspecto, meramente est√©tico, √© o facto de na carenagem completa haver mais material para danificar, mas j√° l√° chegaremos.

Ainda dentro da caixa, o aspecto geral √© francamente fr√°gil (mas verifica-se mais tarde que √© apenas aspecto…). Dois planos de h√©lice no mesmo rotor central, um plano de impuls√£o e outro de direc√ß√£o e um rotor traseiro de navega√ß√£o num conjunto de planos de h√©lice de extrema mecaniza√ß√£o que parecem querer desmanchar-se a todo o instante, mas que permitem uma arruma√ß√£o criteriosa dentro da caixa de transporte do helic√≥ptero, com os planos de p√°s a sobreporem-se evitando uma volumetria e prevenindo danos no aparelho. Continuando a enumera√ß√£o do pack do Helo TC, encontramos a seguir a (volumosa) unidade de comando (que encaixaremos no iPhone), o cabo de liga√ß√£o que permitir√° carregar a bateria interna do helic√≥ptero) e um pequeno saco com h√©lices e material mec√Ęnico de substitui√ß√£o. Percebereis um pouco mais √† frente como este pequeno saco √© importante nas primeiras horas de navega√ß√£o a√©rea…

A unidade de comando na qual inseriremos o iPhone n√£o √© absolutamente nada complexa de percepcionar. Munidos de duas pilhas AAA (n√£o inclu√≠das) apenas h√° que inserir o telefone sob dois clips que manter√£o a unidade √≠ntegra e ligar um pequeno jack na sa√≠da de auscultadores. Toda a comunica√ß√£o que o telefone faz com a unidade de comando √© transmitida pela porta de √°udio e a comunica√ß√£o com o Helo TC Assault √© feita por infra-vermelhos. Nada disto interessar√° por a√≠ al√©m at√© ao momento em que lhe disser que os infra-vermelhos portam-se lindamente em interior, mas podem ocorrer problemas no exterior se houver incid√™ncia de luz solar. Isto em si mesmo √© um aborrecimento se pensarmos que o Helo TC “est√° mesmo a pedir” umas voltinhas pelo exterior. A embalagem possui v√°rios avisos expressos sobre esta quest√£o, mas dificilmente algu√©m lhes ligar√° enquanto n√£o houver falhas de comunica√ß√£o entre comando e helic√≥ptero… Est√° dito e redito.

O software da consola de comando do Helo TC Assault √© gratuito e pode (deve/tem) que ser descarregado da iTunes Store. Uma vez descarregado e corrido pela primeira vez, uma r√°pida olhadela ao interface permitir√° perceber rapidamente as suas principais zonas de comando e respectivas ac√ß√Ķes. Compreende a escala de acelera√ß√£o do rotor principal, comando de aterragem de emerg√™ncia, biblioteca de planos de voo, sector de configura√ß√Ķes, manche de comando principal, orienta√ß√£o de desloca√ß√£o e orienta√ß√£o de sentido e comandos disparadores de m√≠sseis (Vers√£o Assault)

Prepare-se o piloto amador em busca da gl√≥ria do Apocalypse Now, para isso mesmo, uma esp√©cie de pequeno Apocalypse a√©reo. O controlo do Helo TC vai requerer alguma pr√°tica e treino, e saltar etapas vai ter como resultado um ego fortemente amachucado. Propositadamente a velocidade de eleva√ß√£o vertical est√° reduzida a 50% e foi uma decis√£o s√°bia, j√° que as primeiras impuls√Ķes podem terminar violentamente contra o tecto do local onde est√° a fazer os seus primeiros voos. √Č por isso mesmo que o acelerador de rota√ß√£o est√° “castrado”, at√© que o piloto domine a m√°quina sem lhe infligir grandes danos. Quando se sentir confiante, pode essa redu√ß√£o ser eliminada e aplicar-lhe √≠ndices de pot√™ncia mais consent√Ęneos com os seus desejos.

De imediato se percebe que o dom√≠nio do slider de acelera√ß√£o √© essencial e √© vital que o piloto perceba que h√° um delay m√≠nimo de comunica√ß√Ķes. Exagerar na rota√ß√£o inicial vai fazer com que a impuls√£o vertical seja brutal (O Helo TC √© muit√≠ssimo r√°pido dado o seu diminuto peso) e √© nessas primeiras subidas que se vai perceber com clareza que o aspecto fr√°gil do helic√≥ptero n√£o passa disso mesmo, de aspecto. O Helo TC vai parecer-lhe constitu√≠do de material inquebr√°vel (e acredite, n√£o √©…) e agradecer√° a quem esteve encarregue do design de p√°s de h√©lice o facto das mesmas n√£o serem r√≠gidas. A segunda resposta vir√° por si mesma e dar√° di√°logo √† pergunta “Para que raio quero eu um bot√£o de aterragem de emerg√™ncia?”. Acredite, precisar√° desta fun√ß√£o mais vezes do que pensa. A aterragem de emerg√™ncia corta a ascens√£o vertical e reduz a taxa de descida √† vertical do ponto onde se encontrar, permitindo que o Helo TC chegue ao solo pousando suavemente sobre a estrutura de aterragem sem males de maior monta.

No Assault de que disponho, as primeiras sess√Ķes de voo n√£o foram francamente animadoras, mas algumas tentativas depois, a curva de aprendizagem come√ßou (finalmente) a empinar-se. A fuselagem do Helo TC Assault est√° ainda √≠ntegra, com apenas um ligeiro dano no nariz da aeronave. O conjunto (generoso) de pe√ßas de substitui√ß√£o que acompanha o helic√≥ptero vai permitir continuar a voar mesmo que algum percal√ßo possa suceder-lhe e o kit de pe√ßas pode ser encomendado √† parte para futuras repara√ß√Ķes. A montagem de p√°s de h√©lice √© simples e n√£o requer conhecimentos de maior.

A carga da bateria interna do Helo TC Assault permite uma autonomia real de 14 minutos de voo e pode ser reposta em pouco menos de 20 minutos. O alcance do m√≠ssil quando disparado √© de cerca de 3 metros (O meu gato odeia este helic√≥ptero…), havendo tamb√©m m√≠sseis de substitui√ß√£o na embalagem. O piloto experimentado pode, desenhar um padr√£o de voo, guard√°-lo e executar esse mesmo voo padronizado sempre que entenda exibir uma determinada rotina de manobras.

Este helicóptero acaba por se transformar numa excelente peça de entretenimento, descontada a já referida curva de aprendizagem inicial que pode tornar-se algo frustrante. Dentro desta gama de produtos pode considerar-se esta compra como um investimento compensador para a fruição que pode ser obtida. Uma nota final que poderá ser de alguma utilidade: Este helicóptero não deve, repito, não deve ser operado por crianças ainda que sob a orientação de adultos. A velocidade de rotação dos planos de hélice é potencialmente perigosa uma vez que para prevenir quedas bruscas há instintivamente vontade de suster ou apanhar o helicóptero em pleno voo, correndo o risco de se magoarem nas pás em acção.

O Griffin Helo TC está à venda em Revendedores Apple (existe software para tudo o que seja iOS e Android) ao preço de 62 e 75 Euro (Versão Assault)

“Could we, uh… talk to Colonel Kurtz?
Hey, man, you don’t talk to the Colonel. You listen to him.”

Coment√°rios

  1. DENISE DOMINGUES TERRA

    O iclub é de todos os clubes virtuais /
    Sem d√ļvida, o mais espectacular /
    O Helo TC Assault est√° demais /
    Quero ganh√°-lo e p√ī-lo a voar!

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