FBI e Apple, um confronto entre privacidade e segurança

A guerra entre a Apple e o FBI ganha novos capítulos diariamente e embora a Apple tenha conquistado o apoio da maioria das empresas tecnológicas, a verdade é que a empresa está claramente a perder na opinião pública.

Depois de algumas das vítimas do tiroteio de San Bernardino terem manifestado o seu apoio ao pedido do FBI em aceder ao conteúdo do iPhone do atirador, a gigante norte-americana viu-se obrigada a desdobrar-se em comunicações internas e externas.

Inicialmente o CEO da Apple, Tim Cook, publicou no site da empresa uma carta aberta em que explica as razões pelas quais a Apple opõe-se categoricamente ao pedido do FBI. No entanto, a Apple viu necessidade de criar uma página de FAQs (Frequently asked questions) onde detalha exactamente o que o agência governamental pede e todas as razões pela qual a empresa não aceitar a decisão do tribunal.

As empregados da Apple, Cook fez questão de referir que esta decisão do tribunal não tem impacto apenas num caso e que a mesma poderá alterar completamente a privacidade e segurança dos utilizadores em todo o mundo.

A Apple tem até dia 26 para apresentar a sua defesa em tribunal e afirmar porque é que não aceita satisfazer as três exigências do FBI:

  • A empresa tem que desactivar ou ultrapassar a função de “auto apagar” do iOS, que elimina tudo no iPhone caso uma password errada seja colocada várias vezes;
  • Quer que a empresa remova o tempo de espera quando uma pessoa coloca a password demasiados vezes. O FBI não quer ter que esperar minutos ou horas para tentar várias passwords.
  • A empresa tem que criar uma versão alternativa do iOS que permite ao FBI submeter passwords através de uma ligação física ou wireless.

A Bloomberg avança que  Apple deverá usar a defesa da violação da liberdade de expressão (bastante popular naquele país) e vai tentar convencer o tribunal que obrigar um programador a escrever e disponibilizar código é o mesmo que obrigar um jornalista a escrever e publicar um artigo num jornal ou revista.

Outra aposta da Apple é obrigar o governo norte-americano e não um tribunal a tomar esta decisão, obrigando assim esta entidade a reformular (ou não) o All Writ act. Esta lei permite às empresas ajudar as agências governamentais em algumas situações mas a Apple acha que estes pedidos do FBI são demasiado extremos para poderem ser incluídos nesta lei.

0 comentários