Entrevista a Jorge Pedroso, cofundador da Metaclassy

Um editor de texto minimalista, que nos inspira a escrever. É assim que caraterizo esta bonita e útil aplicação Made in Portugal, desenvolvida pela Metaclassy, disponível nas suas versões para OS X e iOS.

Visualização em ecrã completo, diferentes temas disponíveis, sincronização via iCloud ou Dropbox, guardar automaticamente, controlo de versões, publicações diretas para o Tumblr, Blogger, entre outras, são algumas das funcionalidades deste editor de texto.

Fica então a entrevista feita a Jorge Pedroso, cofundador da Metaclassy.

Como surgiu a ideia de criar o Byword?
No final de 2010, quando a Apple anunciou que iria lançar a Mac App Store em janeiro de 2011, eu e o Marcelo Marfil  começamos a pensar numa aplicação possível de executar até à data de abertura da Mac App Store, e tivemos a ideia de um simples editor de texto, semelhante ao TextEdit mas, ao mesmo tempo, otimizado e simplificado para escrita livre e com um ótimo aspeto visual.

Sabendo da existência de umas largas dezenas de editores de texto na Mac App Store o que vos levou inicialmente a desenvolver para OS X?
Muita da motivação inicial foi explorar a oportunidade que a abertura da Mac App Store apresentava em termos de divulgação e mercado. Na altura havia dois ou três que ocupavam o espaço de editores de texto “minimalistas” mas eu e o Marcelo procurávamos algo que não encontrávamos em nenhum deles.

Vocês são apenas duas pessoas, ambos trabalham no design e na programação ou cada um tem as suas funções?
Ambos temos um background técnico em engenharia informática mas na Metaclassy trabalhamos ambos em design e programação. Eu dedico-me mais ao design, enquanto o Rúben se dedica mais à programação, mas tudo no processo é discutido entre nós.

Como correu o processo de submissão em ambas as lojas?
Relativamente bem e bastante simples. Tivemos alguns percalços com uma ou outra atualização mas depois de apelar ao review board tudo se resolveu. Felizmente conseguimos sempre um contacto pessoal na Apple que nos ajudou a resolver todas essas situações prontamente.

O que diferencia o Byword dos restantes editores de texto?
Acima de tudo, a simplicidade sem comprometer os gostos e conforto do utilizador. O design foca-se em dar ao utilizador um ambiente de escrita agradável pronto a ser usado assim que a aplicação é aberta. Grande parte do processo de design, passou não só pelo aspeto visual mas também pelo estudo da tipografia, comprimentos de linha, espaçamento entre linhas, esquema de cores, e tudo o que afete a legibilidade. No entanto, são salvaguardadas algumas opções de configuração para se adaptar ao maior número de utilizadores possível. Comparando com outros editores, acho que o Byword conseguiu um equilíbrio interessante.

Num aspeto mais técnico, há também o suporte extensivo para Markdown através de atalhos e otimizações no comportamento do editor que facilitam e aumentam significativamente a produtividade ao escrever um documento nesse formato.

Qual o vosso verdadeiro público-alvo?
A minha primeira resposta é sempre: qualquer pessoa que use o Microsoft Word. Isto porque, idealmente, todos nós nos preocuparíamos primeiro em colocar os nossos pensamentos em texto, e só depois nos preocupamos com a formatação. Na realidade isto nem sempre é possível, portanto a resposta mais elaborada é: não faço ideia. Não só por ser demasiado genérico mas também porque a App Store não dá qualquer informação sobre os utilizadores que compram a aplicação. O que assumo para guiar o design e desenvolvimento da aplicação é o público que escreve para a web (bloggers, copywriters), estudantes, académicos, e os escritores amadores de pequenas histórias.

No passado mês de Junho estiveram presentes na última Apple Worldwide Developers Conference (WWDC), realizada em São Francisco (EUA). Como foi essa experiência?
Fantástica. É a oportunidade de uma vez por ano falar pessoalmente com todos aqueles que tanto influenciam o meu trabalho no dia-a-dia. No que toca à conferência, tudo é pensado ao pormenor, desde as sessões de apresentação de tecnologias até aos laboratórios onde mais de 1000 developers e designers da Apple estão prontos para nos responder a questões sobre as tecnologias ou ajudar a resolver problemas na nossa a aplicação. Trouxemos de lá uns quantos problemas resolvidos e novas funcionalidades. Mas a experiência é muito mais que a conferência. É também uma semana onde as empresas locais abrem as portas e organizam eventos para receber toda a comunidade, torna-se uma azáfama conseguir conciliar todos os eventos. Na minha opinião, estes eventos fora da conferência são mais importantes que a própria conferência, os contactos que se estabelecem, as ideias que surgem e experiências que se trocam podem fazer a diferença e é, no fundo, o que torna São Francisco especial para quem gosta de tecnologia.

Já mereceram o destaque por parte da Apple na sua App Store, qual foi a sensação ao verem um projeto vosso a ganhar tamanha visibilidade? O efeito nas vendas foi instantaneamente sentido?
As primeiras vezes deixaram-me completamente extasiado, literalmente aos pulos no escritório. Sentir o reconhecimento da Apple sobre o nosso trabalho deixou-me muito feliz. A visibilidade e o efeito nas vendas foram uns bons complementos a essa felicidade.

O que surgiu primeiro? A Metaclassy ou a ideia de desenvolver um editor de texto?
A Metaclassy. Surgiu em maio de 2010, após uma passagem de 3 anos por uma empresa de consultoria em internet móvel. Senti que era a altura de iniciar um percurso independente para me focar mais em design e desenvolvimento de produto. No início, através da rede de contactos (e amigos) que fui criando, principalmente no Twitter, consegui alguns projetos de consultoria em desenvolvimento e design para iPhone, iPad e Mac. No entanto, o objetivo principal sempre foi desenvolver ideias de produto minhas. Após um ano de consultoria tinha condições para alavancar essa minha visão e é aí que surge o editor de texto Byword.

A Metaclassy restringe-se apenas ao desenvolvimento de aplicações ou faz outro tipo de trabalhos?
Neste momento, apenas ao desenvolvimento de aplicações, mais especificamente o Byword. Como disse anteriormente, na fase inicial, forneci serviços de consultoria em desenvolvimento e design que me permitiram pagar as despesas e investir no desenvolvimento do Byword. Felizmente, o Byword foi uma aposta ganha e hoje é suficiente para sustentar a Metaclassy. É um privilégio poder dedicar todo o nosso tempo a um produto nosso.

Nos vossos websites fazem questão de dizer que são de Portugal, indo até mais longe ao dizerem que se trata de um empresa/aplicação Made in Coimbra. São conimbricenses de gema?
Eu sim, o Rúben não. O Rúben é Algarvio (Tavira) mas está em Coimbra há 10 anos desde que ingressou na universidade.

Onde é que neste momento vocês trabalham? Em casa? Numa garagem? Possuem escritório próprio?
Inicialmente, trabalhávamos em casa. Neste momento, temos um escritório próprio no espaço Connect Coimbra.

Depois do Byword têm planos para uma nova aplicação?
Sim, apesar do Byword ter um plano já definido para os próximos doze meses, já começamos a planear uma nova ideia, mas mais não posso avançar. Sigo religiosamente a regra de não falar sobre funcionalidades ou aplicações que ainda não foram concretizadas.

Para finalizar, em projetos futuros equacionam desenvolver para outra qualquer plataforma ou irão manter-se no OS X e iOS?
Para já vamos manter-nos em OS X e iOS. Estou bastante atento a outras plataformas mas por várias razões ainda não tenho motivação para dedicar-me a elas.

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Download:
iTunes Store iOS (2,39€)
Mac App Store OS X (3,99€)

Categoria: Produtividade
Actualizado: 26 de abril de 2012
Versão: 1.0.3
Tamanho: 2.8 MB
Idiomas: Inglês
Programador: Metaclassy
Classificação de 4+

Requisitos: Compatível com iPhone, iPod touch e iPad. Requer o iOS 5.0 ou posterior.

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