Continuam a encerrar as lojas de produtos Apple, desta vez nos EUA

A iStore, uma rede de revendedores Apple sediada no estado do Arizona (EUA), anunciou estes dias o encerramento permanente da sua atividade. A empresa americana, que está já a fazer liquidação total do seu mobiliário de loja, afirma que a Apple já não dá aos seus parceiros condições mínimas de rentabilidade e acusa o fabricante de Cupertino de práticas de concorrência desleal.

Ao longo dos últimos anos, tem sido notícia frequente a abertura de Apple Store (lojas Apple de venda direta ao público) e o seu imenso sucesso. Mas, ao mesmo tempo que o fabricante inaugura essas suas lojas, a pouco e pouco vão fechando portas os revendedores e centros técnicos que ao longo das últimas décadas asseguraram a presença da marca um pouco por todo o mundo.

Há duas semanas, dávamos notícia do encerramento da eBizcuss, que detinha a maior cadeia francesa de revenda Apple em França. Agora, chega-nos a notícia de que também nos Estados Unidos as empresas de revenda de produtos Apple estão a atravessar momentos difíceis. Desta vez, é o grupo iStore que acaba de cessar atividade. O seu mobiliário de loja está já à venda em saldos de liquidação.

Saldos de liquidação

A iStore (Arizona, EUA) era desde há mais de uma década (inicialmente sob a designação “Re-Mac”) uma empresa especializada em produtos Apple, tendo sido reconhecida como Apple Authorized Reseller (Revendedor Autorizado Apple) e Apple Authorized Service Provider (Centro de Assistência Autorizado Apple) em meados da década de 90. Em 1997, a empresa foi convidada pela Apple a integrar a sua rede de Apple Specialists. Com o passar dos anos, a empresa continuou a especializar-se em soluções Apple, tendo aberto três lojas físicas e uma loja on-line, todas elas destinadas aos utilizadores Apple.

O fecho das iStores, bem como o da rede eBizcuss, mostra uma vez mais que esta mudança de estratégia da Apple, com a recente abertura de um grande número de lojas próprias de venda direta ao público, tem vindo a colocar em risco de falência um grande número de parceiros históricos da marca de Cupertino. Para muitos clientes, a abertura de lojas Apple é bem-vinda, porque lá esperam encontrar uma experiência de compra agradável e eficaz. Ainda assim, muitos clientes lamentam que as empresas da especialidade, com quem podiam contar até há bem pouco tempo, estejam a encerrar, diminuindo as oportunidades de escolha e cessando relações de proximidade que não são fáceis de voltar a criar com as novas lojas de alto tráfego.

Mas o mais polémico é que, cada vez que abre falência uma destas cadeias de lojas de revenda Apple, o fabricante é acusado de práticas anticoncorrenciais. No seu comunicado aos clientes, a iStore afirma:

“Com a abertura gradual daquilo que são agora 5 Apple Stores aqui na área de Phoenix e as alterações correspondentes nas relações da Apple com os seus revendedores, a Apple tornou praticamente impossível manter qualquer rentabilidade ao fornecer um bom serviço ao cliente. Tal como muitos de vocês têm experienciado (mais recentemente com o iPad de 3ª geração), a Apple consistentemente retém produto dos seus revendedores independentes ao mesmo tempo que fornece abundantemente as suas próprias Apple Stores. Por este motivo e por muitos outros que levariam demasiado tempo a enumerar e, muito francamente, provavelmente vocês não quererão saber, decidimos encerrar permanentemente as nossas lojas.”

A questão que se volta a levantar, uma vez mais, é se a Apple deveria mostrar alguma compaixão pelos revendedores que durante anos ou décadas serviram a marca e os seus clientes, ou se isto é tudo parte do normal funcionamento no mundo dos negócios.

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