Cessou atividade a maior cadeia de revenda Apple em França

A eBizcuss, que detinha até agora a maior cadeia francesa de revendedores Apple, acaba de fechar portas. A notícia, que está a chocar na França a comunidade dos utilizadores Mac, surge poucos meses depois de o gigante francês ter iniciado um processo de bancarrota e ter processado a Apple por práticas de concorrência desleal.

A eBizcuss vinha já acusando a Apple de concorrer de forma desleal contra os seus parceiros comerciais. Em finais de 2011, o grupo francês processou a Apple por concorrência desleal, acusando o fabricante de dar tratamento preferencial às suas próprias Apple Stores. Em causa estava a falta de fornecimento atempado de várias linhas diversas linhas de produtos, incluindo Macbook Air, iPad e iPhone.

O CEO da eBizcuss, François Prudent, explicava na altura ao jornal Le Figaro que as suas lojas haviam sofrido uma quebra muito significativa após a abertura da primeira Apple Store em França. François Prudent acusava ainda a Apple de contactar diretamente alguns dos seus clientes empresariais mais importantes. Tudo isto, segundo aquele responsável, apesar de a sua empresa ter feito um investimento de 5 milhões de euros na remodelação das lojas para cumprir com as exigências da Apple. A empresa cessante reclama por isso o pagamento uma indemnização de 90 milhões de euros, por parte da Apple, pelos danos causados.

Mais recentemente, em fevereiro deste ano, um grande número de trabalhadores dos vários Apple Premium Resellers franceses realizaram uma manifestação em Paris, junto a uma das mais conhecidas lojas da Apple. E não era caso para menos, já que, com o fecho das 15 lojas lojas da rede eBizcuss, ficarão sem emprego nada menos do que 120 pessoas. Parece, pois, ter chegado ao fim um importante capítulo da luta entre os Apple Premium Resellers franceses e a Apple, e com um final nada simpático para os trabalhadores das lojas do grupo eBizcuss.

Os leitores que vêm acompanhando o mundo Apple ao longo dos últimos anos, poderão talvez recordar-se que este caso não é de todo inédito. Já em 2004, nos estados Unidos, ocorreu uma situação do mesmo género, quando um grupo de cinco revendedores processou a Apple em tribunal, acusando o fabricante de favorecer as suas próprias lojas em vez de dar um tratamento igualitário aos revendedores. As acusações eram, tal como no caso francês, de certa gravidade, mas acabariam finalmente por ser resolvidas de forma mais ou menos pacífica através de um acordo entre as partes.

Ainda assim, sempre que se ouve estas notícias, fica a pairar a eterna dúvida sobre a legitimidade da estratégia de negócio da Apple e a legalidade de certas práticas comerciais. Se, por um lado, os revendedores especializados em produtos Apple parecem ter sido uma peça chave para impedir o desaparecimento da marca Apple em meados dos anos 90, a verdade é que, ao longo da última década, as relações entre o fabricante e os seus parceiros comerciais parecem estar a tornar-se cada vez mais tensas. Será que, na sequência da abertura das suas lojas próprias pelo mundo fora, a Apple está a tentar mostrar que já não precisa da ajuda dos seus antigos parceiros revendedores?

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