Reportagem: Bono e a Apple prometem um novo formato que irá revolucionar a indústria da música

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O último evento da Apple, de 9 de Setembro, ainda está na memória e nas bocas de todos, não só pelo lançamento do novo iPhone e pela apresentação do Apple Watch, mas também pela ‘oferta’ do novo album da banda irlandesa U2.

Songs of Innocence foi oferecido a todos os utilizadores de iTunes, aliás, foi mais do que oferecido. O álbum foi colocado diretamente nos dispositivos pessoais, o que levantou sérias questões relacionadas com escolha do consumidor e a consequente existência ou não de poder de decisão, bem como questões de privacidade. Isto, num mundo que atualmente, e de forma rotineira, infringe constantemente os dois. Esta foi uma oferta da Apple a todos os seus clientes, mas nem o facto da empresa de Cupertino ter pago aos U2 pelo álbum, acalmou todos aqueles que criticaram fortemente esta intromissão.

Mas, segundo um artigo da revista Time, este foi só um cheirinho da colaboração entre os U2 e a Apple. Bono, em entrevista à Time, referiu que se encontra a trabalhar com a gigante de Tim Cook na criação de um novo formato de música capaz de devolver o entusiasmo de comprar canções, quer em álbuns completos como separadamente. E foi mais longe, prometeu que essa inovação encontra-se apenas a 18 meses de distância.

A banda irlandesa, composta por Bono, Edge, Adam Clayton e Larry Mullen Jr., acredita que os artistas devem ser recompensados pelo trabalho que realizam, o que cada vez acontece menos devido à pirataria e a sites legítimos como o YouTube que oferecem um universo de música gratuita. O objetivo passa por ajudar não só os U2, mas especialmente os grupos e cantores menos conhecidos que não conseguem viver apenas dos concertos ao vivo.

Bono anunciou à Time que Songs of Experience (o próximo trabalho da banda) “vai ser lançado num novo formato” que “vai ser muito excitante para a indústria da música”. Acrescenta que este será um formato audiovisual interactivo que não pode ser pirateado e que irá trazer de volta o artwork dos álbuns.

À primeira vista, este anúncio dos U2 pode parecer extremamente inovador, mas na realidade não o é. Aplicações de álbuns de música interactivos não são novidade, nem muito menos experiências falhadas tais como o CD-I, através do qual o utilizador poderia usufruir na televisão de aplicações musicais, educacionais e jogos e que eventualmente se transformou num formato quase exclusivamente utilizado em Karaoke.

Da mesma forma, uma série de músicos já lançou aplicações interactivas juntamente com novos discos, que permitiam aceder a fotografias, letras e outros conteúdos acerca dos mesmos. Podem-se citar alguns nomes, tais como Björk, Snow Patrol e a própria Beyoncé que, em Dezembro do ano passado, lançou um álbum surpresa, uma edição deluxe que incluía vídeos para todas as músicas do trabalho.

Relembramos, igualmente, o serviço  iTunes LP, lançado em 2009 e que, segundo o site da Apple, “oferece uma experiência exclusiva e interactiva”, pois ao comprar os álbuns com iTunes LP, o utilizador recebe, além  das músicas, “recursos especiais, como letras, fotos, vídeos, créditos e muito mais”. O serviço ainda existe, mas sobre este muito pouco se tem ouvido falar. Talvez o Bono se refira a um melhoramento do iTunes LP, ou talvez não.

Na revista Time pode-se ler que “os U2 estão numa grande missão, talvez a maior até ao momento”. É referido que para a banda não chega lançar um novo trabalho que seja ‘bom’, eles “querem que Songs of Experience também salve toda a música”.

 

 

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