Apple perdeu a “bolha da distorção”?

apple steve jobs iphone

A Apple é conhecida como sendo uma marca de “paixões”. De um lado temos uma numerosa legião de fãs, orgulhosos dos seus produtos; do outro temos os que os criticam, dizendo que a sua lealdade cega os impede de ver a realidade. São discussões que se aproximam do fervor religioso ou futebolístico, e que agora parecem ter transitado para a área tecnológica (o denominado fanboyismo).

No entanto, ao contrário do que acontece nas áreas tradicionais (um adepto dificilmente mudará de clube, uma pessoa de fé dificilmente mudará de religião) na área tecnológica parece a lealdade a uma marca tão depressa pode ser conquistada… como perdida.

Tal como no futebol os treinadores ou seleccionadores rapidamente passam de besta a bestiais e vice-versa; também a Apple parece estar a passar a transitar de marca “desejada” a “marca indesejada”. Um fenómeno que se tem feito sentir na sua cotação em bolsa:

apple stocks

Se até meio de 2012 o céu parecia ser o limite para a sua valorização, em 2013 os accionistas têm sido confrontados com um grande tombo que ainda não deu sinal de paragem.

Como se explica então esta mudança, numa empresa que – analiticamente – continua a somar lucros e a ter vendas recorde? Há quem diga que a única diferença é que a Appe perdeu o chamado “Reality distortion field” de Steve Jobs. A aura mística que ele conseguia transmitir e que parecia hipnotizar todos os que o ouvissem, fazendo com que até as coisas mais insignificantes parecessem uma enorme conquista.

Ninguém pode negar que foi o seu perfeccionismo que tornou o iPhone possível e dando início à revolução dos smartphones como os conhecemos (relembro que antes do mesmo ser apresentado, havia quem se risse da perspectiva de termos telemóveis sem botões); mas a verdade é que desde a sua morte que a marca tem sofrido com a imagem de estagnação e ausência de inovação.

O iOS há muito que acusa o peso da idade e pede melhoramentos e mais funcionalidade; as opções estéticas das Apps oficiais da Apple, outrora exemplos de “design”, parecem agora relíquias pré-históricas face às apps dos seus concorrentes. E a nível de equipamentos, aumentar a resolução dos portáteis é algo que por si só poderá já não ser suficiente para um público que quer “algo mais”.

O Google sempre tem o seu Project Glass como estandarte de que está a trabalhar em algo “futurista”; a Apple… que tem para contropôr? Um novo iPad, igual/idêntico ao anterior mas mais veloz; um novo iPhone idêntico ao anterior mas mais veloz; um novo MacBook retina, idêntico ao anterior mas com mais resolução? Qual será o trunfo que a Apple poderá usar para relembrar ao mundo que não ficou a dormir “à sombra da bananeira” do seu sucesso? Sinceramente não sei… mas espero bem que por altura da apresentação do novo iPhone, a Apple tenha algo maravilhoso para nos mostrar e cativar, e não apenas “mais do mesmo”.

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