A Eficiência do A6 do iPhone 5

A questão da autonomia é algo que paira constantemente sobre todos os utilizadores de dispositivos móveis, que no entanto exigem que os seus aparelhos tenham cada vez mais coisas e sejam mais potentes e rápidos.

Como a tecnologia das baterias pouco (ou nada) tem evoluído ao longo dos últimos anos – ao contrário do que acontece com os CPUs – como será possível ir equilibrando o funcionamento de aparelhos cada vez mais potentes, usando as mesmas baterias, e mesmo assim poder ter autonomias idênticas ou até superiores?

A solução mais simples seria usar baterias maiores, mas isso implica maior volume e maior peso – algo que nem sempre é possível de conjugar com o desejo pelos aparelhos mais finos e leves.

Então, o que resta?… É simples, aumentar a eficiência dos CPUs mais potentes. E isso é algo que podemos ver em acção nas mais recentes gerações de CPUs, incluindo o novo chip A6 que a Apple estreou com o iPhone 5.

 

Este gráfico mostra os consumos de um teste feito num iPhone 4, 4S, e 5. Aqui podemos ver claramente como um CPU mais potente e gastador pode, na verdade, gastar menos energia que um CPU aparentemente mais poupado.

A linha verde mostra-nos o iPhone 4, que gasta apenas 1.25W durante o teste, menos que os seus sucessores mais evoluídos.
A linha azul mostra-nos o iPhone 4S, que passa a consumir cerca de 1.5W mas é capaz de terminar o teste em menos tempo.
E por último, a linha laranja mostra o iPhone 5, com consumos que andam na casa dos 2W, mas demora ainda menos tempo a terminar o teste – e onde se nota também uma muito maior variação nos modos de poupança de energia, que vão dos picos momentâneos que atingem os 2.5W de consumo a modos mais poupados de apenas 1.5W.

Não menos interessante, quando o teste termina e fica em modo de poupança de energia máxima, o A6 do iPhone 5 consegue gastar menos energia que o iPhone 4S.

Ou seja, temos aqui o perfeito exemplo de como um sistema mais gastador pode gastar menos, ao fazer o trabalho mais rapidamente e puder regressar aos modos de poupança de energia mais rapidamente.

 

Quando comparado com CPUs concorrentes, vemos que o Tegra 3 é capaz de oferecer prestações idênticas… mas à custa de consumos muito mais elevados (3.5W vs 2W) e onde mesmo o consumo mínimo em “poupança” é bastante elevado (mais de 1.5W).

Melhor sorte tem o Snapdragon S4, que para prestações semelhantes já consegue aproximar-se bastante dos consumos de 2W em processamento (mesmo se não atinge os picos de poupança “para baixo” nos 1.5W), e em standby consegue baixar do 1W – um valor muito melhor que o do Tegra 3, mas ainda assim superior aos conseguidos pelo A5 e A6 da Apple.

Assim se pode ver a vantagem que a Apple consegue ter sobre os concorrentes (a este nível) ao ter total controlo sobre os chips e também sobre o software, e assim conseguindo tirar o máximo proveito de ambos.

Curiosamente, o concorrente que mais se aproxima do nível de eficiência que a Apple consegue com os seus chips não é nenhum produto ARM… mas sim o Medfield da Intel! (O que não será tão surpreendente considerando-se o conhecimento e experiência que a Intel tem).


Não deixa de ser impressionante que ao longo dos últimos anos se tenha dado estes passos de gigante a nível de desempenho nos equipamentos mobile, e que dependendo das mesmas baterias… se consiga manter uma autonomia idêntica ou superior.

Não seria bom se as baterias tivessem evoluído ao mesmo nível, e nos permitissem agora ter smartphones que pudessemos usar confortavelmente durante uma 1 semana ou mais?

Pegando neste último gráfico que mostra a diferença de desempenho das várias gerações de iPhones, e se assumíssemos que o primeiro iPhone tinha uma autonomia de 12h – se as coisas tivessem evoluído na mesma proporção… o iPhone 5 teria agora uma autonomia de… 11 dias!

Ah… como é bom sonhar. 🙂

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