À conversa com João Martinho Moura, sobre o iOS 7

Na sequência da recente apresentação do iOS 7 durante a WWDC, fomos conversar com João Martinho Moura.

João Martinho Moura, artista digital, docente convidado na Universidade do Minho e co-fundador da TECField, empresa responsável pela criação da app do iClub para iPhone. Fomos conhecer as suas primeiras impressões sobre o novo sistema operativo. Tivemos assim a oportunidade de realizar uma breve visita guiada por um especialista, durante a qual pudemos experimentar também o iOS 7.
 
Entrevista a João Martinho Moura, autor da App iClub PT

Entrevista a João Martinho Moura, criador da App iClub PT

 

O nosso entrevistado, que tem estado a testar o iOS 7 num iPhone 5, começou por expressar o seu agrado pelas animações presentes no novo sistema. Na sua opinião, as animações são discretas, mas persistentes, sendo uma presença constante. E, sobretudo, são consistentes, transmitindo uma sensação geral de coerência. Como exemplos disso, destaca o aparecimento gradual da imagem quando ligamos o ecrã do iPhone, bem como os efeitos de zoom ao abrir uma pasta, ao iniciar uma aplicação, ao sair da aplicação e ao fechar novamente a pasta. O efeito de zoom, a velocidade a que ele acontece, a aceleração e abrandamento durante o efeito, tudo se conjuga de uma forma bastante harmoniosa. Também o efeito de paralaxe no ecrã inicial e no gestor de aplicações, que faz com que as apps pareçam estar a flutuar alguns milímetros acima da imagem de fundo, também contribui para uma sensação de fluidez geral do sistema.
 
Pastas no iOS 7 e no iOS 6

Pastas no iOS 7 e no iOS 6

 

Ainda que no que se refere às animações, João Martinho Moura sublinha que elas estão presentes por todo o lado, embora nem sempre de forma muito visível. Por exemplo, quando deslocamos para cima e para baixo os balões de texto na lista de mensagens de texto: enquanto que até ao iOS 6 os balões se deslocavam uniformemente, todos juntos, como se pertencessem a uma única folha de papel virtual, agora no iOS 7 temos um novo tipo de efeito. A nova scrollview usa os mecanismos de simulação de física para fazer os balões deslocarem-se de uma forma mais dinâmica. Olhando com atenção, percebemos que, durante o breve instante que dura o efeito de animação, as distância entre os balões vão variando, como se fossem atraídos magneticamente. Este tipo de efeitos tem um impacto na experiência de utilização que é difícil, se não mesmo impossível, de avaliar sem experimentar.
 
Alarme no iOS 7 VS iOS 6

Alarme no iOS 7 e no iOS 6

 

Ao nível da gestão multitarefa, o iOS 7 parece preservar mais tempo na memória as aplicações, permitindo alternar rapidamente entre elas. Ao pressionar duas vezes o botão Home, somos levados para o novo gestor de aplicações que, em vez de uma simples linha de ícones, nos apresenta os ícones das aplicações abertas mais uma previsualização do estado atual da app correspondente. Além disso, passa a ser mais fácil terminar uma app, arrastando-a para cima, nesse mesmo ecrã.

No iOS 7, o campo de pesquisa para procurar aplicações instaladas está disponível num novo painel, que aparece a partir do topo do ecrã, bastando para isso deslizar com o dedo para baixo a partir do centro do ecrã. Esta abordagem permite não só um acesso mais rápido a esta ferramenta, mas também reduz a necessidade de utilizar o botão Home, porventura um dos elementos menos confortáveis do iPhone e certamente um dos componentes mais propensos a falhar ao fim de muito tempo de uso intensivo.
 
Enviar email no iOS 7 e no iOS 6

Enviar email no iOS 7 e no iOS 6

 

Deslizando o dedo a partir do topo do ecrã, fazemos sugir a nova Central de Notificações, onde se destaca a vista Hoje/Today. No entanto, como o gesto é muito parecido com o anterio, ao início pode ser difícil a adaptação. Mas ao fim de pouco tempo, assegura João Martinho, percebemos a lógica subjacente e torna-se mais intuitivo. Num primeiro caso, da pesquisa, o gesto tem de ser feito deslizando o dedo a partir do centro do ecrã (e só funciona no ecrã inicial, onde lançamos as aplicações). No caso da Central de Notificações, ela está disponível globalmente mesmo quando estamos a usar uma aplicação, e para aceder temos de deslizar o dedo a partir do topo do ecrã.

Deslizando o dedo a partir do fundo do ecrã, acedemos ao novo Centro de Controlo, que apresenta um conjunto de ferramentas úteis: lanterna, câmara, calculadora, controlo de música, ligar/desligar bluetooth, etc… Para o nosso interlocutor, este painel ficaria um pouco melhor se não tivesse o efeito de translucência mas, gostos à parte, considera extremamente útil esta nova funcionalidade. O que fica a faltar, na sua opinião, é uma forma rápida para bloquear o tráfego de dados, para permitir um maior controlo de custos. Já a lanterna, que evidentemente irá provocar a obsolescência súbita de um número considerável de aplicações da App Store, tem a sua utilidade assegurada e é por isso muito bem-vinda. Um pequeno inconveniente do Centro de Controlo, segundo o João Martinho, é que, pelo menos para já, não pode ser personalizado segundo as preferências do utilizador.
 
Cronómetro no iOS 7 e no iOS 6

Cronómetro no iOS 7 e no iOS 6

 

Os ícones e as várias aplicações incluídas de série com o iOS estão também a ser redesenhadas em concordância com a nova linha gráfica do sistema operativo, como seria de esperar. Os ícones das aplicações são minimalistas mais muito coloridos, com cores talvez demasiado vivas, refere. Ainda assim, o novo visual é minimalista, mais “limpo”: não há barras de ferramentas com gradientes, botões em relevo, com sombras ou linha de contorno. Em algumas aplicações, contudo, a Apple parece estar a apostar no uso da cor dos botões (ou melhor, dos ícones das ferramentas dentro de cada app), como forma de dar uma pista sobre qual a app que estamos a usar: diferentes apps têm botões com diferentes cores. Ao longo deste período de testes, João Martinho Moura sentiu necessidade de aumentar tamanho do tipo de letra nas preferências do sistema, para melhorar o conforto de utilização.
 
Enviar mensagens no iOS 7 e no iOS 6

Enviar mensagens/SMS no iOS 7 e no iOS 6

 

Mas há algumas novidades interessantes, como no caso do Safari, que tem um novo sistema de gestão de separadores, numa espécie de Coverflow mais evoluído, e que agora também otimiza a utilização do espaço do ecrã reduzindo automaticamente o espaço ocupado pelas barras de ferramentas à medida que deslizamos uma página.
 
A App Store no iOS 7 e no iOS 6

A App Store no iOS 7 e no iOS 6

 

Para programadores, também há algumas novidades. Há novas linhas de orientação para a elaboração de interfaces e todas as API foram melhoradas. Há também novos recursos gráficos, que permitem aproveitar a tecnologia OpenGL, por exemplo, para para empregar novos efeitos de animação. Muito ainda está para ver, mas há já imenso material para estudar e começar a usar. Como ponto de partida para quem se dedica à programação para o iOS, João Martinho Moura recomenda a app da WWDC, onde os programadores têm acesso a vídeos técnicos onde são explicadas muitas das novidades do iOS 7 e como se pode tirar partido delas no próprio código.

Vale a pena o iOS 7?

O balanço de uma semana de utilização, diz João Matinho Moura, é francamente positivo. Apesar de nesta versão beta, ainda muito preliminar, se notarem certas arestas por limar (por exemplo, há aplicações que ainda não correm neste sistema operativo e nota-se uma quebra na autonomia da bateria), considera que houve uma grande evolução no iOS, e que o sistema deu o salto que estava a precisar. No caso concreto do iPhone 5, o desempenho é muito fluído e as animações são executadas de forma muito suave.

É importante notar que não é uma versão recomendável aos utilizadores finais, dado que ainda há muitas correções a serem feitas antes do lançamento oficial e muitas aplicações de terceiros ainda não são compatíveis.

Ainda assim, depois de uma semana com iOS 7, o nosso entrevistado teve de voltar a usar um iPhone com o iOS6 e notou bem a diferença. Na sua opinião, o iOS 7 está bem melhor e tem a certeza de que quando o começar a usar definitivamente, não vai querer voltar atrás…

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